Você já parou para analisar que muitas vezes tornamos escravos de nós
mesmo? Pois é, muito mais comum do que se imagina, realizamos coisas
que muitas vezes não gostaríamos de realizar. Tomamos atitudes que não
desejaríamos tomar e, por impulso, agimos da forma que julgamos ser
condenável. Somos reféns de nós mesmos.
Um exemplo disto ocorreu na associação em que trabalho. Se ali estivesse alguém
fazendo um estudo de caso, encontraria mais de 300 seres humanos que
deixaram que os mais diversos sentimentos tomassem conta da situação.
Por pouco as coisas não saíram do controle e, a exemplo das
concentrações nas portas dos estádios - o que vale é conseguir é
garantir um lugar na arquibancada - no caso da associação, era chegar
ao andar em
que estava previsto para se fazer a inscrição para as atividades oferecidas.
Há justificativa para isto? Naquele contexto havia. Pelo menos é o que
as sócias da empresa alegavam. "Cheguei cedo porque não quero ficar
sem a vaga da
oficina tal, afirmou-me uma; eu tenho direito de participar da turma
"X" falou-me outra; se eu não ficar junto com a minha colega, não
freqüentarei mais a associação, disse-me uma terceira. Aos poucos foram
aparecendo as justificativas para a aglomeração que se formou em
frente a instituição e chegou quase um quarteirão de distância dali.
Sendo um mero expectador, consegui perceber vários sentimentos
dominando a situação: alegria pelo reencontro das colegas, raiva por
ter que enfrentar a fila, egoísmo porque acreditavam ter o direito
garantido; dor por não ter seus desejos atendidos, angústia por
acreditar que poderia ficar sem uma vaga e ansiedade por ter que ficar
na fila esperando a sua vez.
Com tantos sentimentos misturados, meus colegas e claro eu,
também fomos sendo contaminados pela situação. Quando percebi lá estava
eu em desespero, subindo e descendo no elevador, tentando buscar uma
solução para aquela situação.
A fila começou a andar e as reclamações, todas ... continuaram. Neste
momento comecei a me deparar com um monte de idoso que pedia que fosse
aplicada a Lei que os resguarda. Infelizmente, naquele contexto,
passar na frente do outro para entrar no elevador poderia ser uma
sentença de morte. Todos, sem exceção, tinham garantido a sua
colocação e em hipótese alguma admitia que houvesse alteração na ordem
da fila. Atestado médico, receitas, exames e qualquer outro documento
que comprovasse alguma enfermidade, naquele momento, de nada serviria.
"Este é o meu lugar que conquistei chegando aqui logo que o dia
amanheceu". A sócia não disse mas estava implícito que pensava que não
era justo que alguém fosse atendido alguns minutos antes dela.
E assim as coisas caminharam. Pouco mais de duas horas após o horário
previsto para o início dos trabalhos da associação, já não mais reféns dos
sentimentos, me deparei com as últimas sócia da fila que estavam
felizes porque alcançaram o seu objetivo.
A semana continua, as inscrições também e a fila não existe mais. Há
em mim um sentimento de saudade do qual não sou refém. Saudades de ver
tanta gente num só momento na instituição, saudade de ver aqueles belos
sorrisos no ato do reencontro com os colegas, saudade dos abraços
carinhosos que algumas me deram durante aquele evento da fila.
Espero realmente poder ver a todos novamente, não na fila, mas nas
oficinas e cursos oferecidos pela associação. Que o sentimento de
bem-estar, de alegria, de fraternidade seja os únicos que sobressaiam
no decorrer do ano. Quanto ao evento da fila, pelo menos para a
Assemp, foi um momento de grande aprendizagem. Que isto não seja
diferente para o associado.
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