quarta-feira, 11 de agosto de 2010

PEDIDO DE DEMISSÃO



por Conceição Trucom
 
Venho por meio deste, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos.
Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de oito anos no máximo.

Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possível.
Quero que as complexidades da vida passem desapercebidas por mim e quero ficar encantada com as  pequenas maravilhas deste mundo.

Quero de volta uma vida simples e sem complicações.
Cansei dos dias cheios de computadores que falham, montanha de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe.

Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigada a dizer adeus ás pessoas queridas e, com elas, à uma parte da minha vida.

Quero ter a certeza de que Deus está no céu e de que, por isso, tudo está direitinho nesse mundo.
Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel, que vou navegar numa poça deixada pela chuva.
Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.

Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro caju, a primeira manga ou quando a jabuticabeira  ficar pretinha de frutas.
Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar  e dividindo-os com meus amigos.
Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida.

Quero que as maiores competições  em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de gude ou uma pelada.
Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a "Batatinha quando nasce..." e a "Ave Maria"  e que isso não me incomodava nadinha,  porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia.

Quero voltar ao tempo em que se é feliz,  simplesmente porque se vive  na bendita ignorância da existência de coisas  que podem nos preocupar ou aborrecer.
Quero acreditar no poder dos sorrisos,  dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade,  da justiça, da paz, dos sonhos,  da imaginação, dos castelos no ar e na areia.
Quero estar convencida de que tudo isso...  vale muito mais do que o dinheiro!

A partir de hoje, isso é com vocês,  porque eu estou me demitindo da vida de adulto.

Demita-se você também dessa sua vida chata de adulto, mandando esta mensagem para todos os seus amigos, principalmente os mais sérios e preocupados.
NÃO TENHA MEDO DE SER FELIZ!!!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O recado de Deus


por José Almir da Rosa




Certa manhã de domingo comecei a me questionar sobre a presença de Deus em minha vida. Será que o Criador do Universo realmente existia ou se tratava de mais um conto de fadas passado de geração em geração?


Pois bem, com tais indagações resolvi procurar um teólogo para fazer alguns questionamentos a ele sobre a existência de Deus.


Lugar ideal para encontrar tais pessoas são as igrejas, chamadas casas de Deus. Como não morava tão longe de uma catedral, decidi que era para lá que eu ia buscar o teólogo e quiçá me encontrar com Deus.


Era uma manhã de primavera, o sol já brilhava e, antes de sair, fui colocar comida para os pássaros num prato que tinha no jardim da casa em que eu morava. Como estava com pressa, sem querer, esbarrei num pé de rosa e esta, que tinha apenas uma flor aberta, acabou me molhando com o sereno da madrugada. Não dei atenção e fui até o local dos pássaros. Um sabiá, no pé da pequena laranjeira, cantava sem parar. Ignorei. Fui para a estação de metrô.


Duas crianças brincavam nas escadas rolantes. Quase esbarrei numa delas e fiquei meio encabulado com a situação. Já dentro do metrô, cheio de inquietação, observei que uma senhora de cabelo branquinho, me observava. Aquilo me incomodou. Ela, ao perceber o meu incômodo, deu um belo sorriso e sutilmente virou o rosto. Ela desceu na estação seguinte e já fora do metrô voltou a sorrir. Desapareceu no meio das centenas de pessoas que estavam naquela estação.


Já no meu destino fui me informar com um vendedor de pipocas sobre o endereço correto da catedral. Ele pediu para que eu aguardasse porque o milho estava começando a estourar. Também com um sorriso, me deu algumas pipocas quentes. Agradeci, mas, como estava impaciente, decidi arriscar e seguir um dos caminhos em direção à casa de Deus. Logo numa esquina me deparei com a imponência da catedral que deveria estar a poucas quadras dali.


Minha atenção foi desviada quando percebi que uma mulher com uma criança no colo me pediu esmola. Ia dizer não, mas o olhar da criança foi mais forte. Tirei algumas moedas e entreguei para aquela mãe.


Cheguei ao templo e um cartaz fixado na porta me deixou muito nervoso. Em reformas.


Mil pensamentos passaram pela minha cabeça. Predominou a raiva e a inquietação. Novamente tive a minha atenção desviada com um som que vinha da praça que ficava nas imediações da catedral. Era um saxofone.


Gostei do que ouvia, mas resolvi ir para outra igreja. Precisava ter minha resposta, queria me encontrar com Deus ou pelo menos com um de seus representantes.


Agora de ônibus segui para o outro endereço da casa de Deus. Meus pensamentos foram interrompidos quando uma jovem grávida sentou ao meu lado. Virei o rosto e voltei a pensar em Deus.


Já na igreja me deparei com um padre. Fiquei feliz. Talvez ele me ajudasse a encontrar com Deus. Não, meu filho. Hoje eu não tenho tempo.


Saí da igreja mais triste ainda com a negativa do representante de Deus. Sentei num banco e fiquei a olhar as crianças que brincavam ao redor.


Um catador de latinhas, maltrapilho, sentou ao meu lado. Rompeu o silêncio perguntando se eu tinha conseguido falar com Ele. Para evitar prolongar a conversa, falei que não. Novamente aquele senhor, que tinha um cheiro forte impregnado no seu corpo, fez a mesma pergunta. Respondi que não.


Subitamente ele me pegou pela mão e contra a minha vontade disse que me mostraria onde Ele estava. Morrendo de vergonha, me deixei guiar.


Atrás da igreja tinha uma fonte cercada por roseiras. Achei que estava fazendo papel de idiota. O homem me levou até uma rosa bem vermelha, igual àquela que estava no meu jardim e me disse: Ele mora aí dentro e em todos os lugares. Eu me encontro com Ele aqui e você?


Fiquei em silêncio por alguns instantes e quando virei para responder ao catador de latinhas já o vi longe. Entendi o recado da vida, entendi o recado de Deus.

domingo, 8 de agosto de 2010

Não importa onde você parou

Carlos Drumond de Andrade

Não importa onde você parou
em que momento da vida você cansou...
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
é renovar as esperanças na vida e o mais
importante...
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o inicio da tua melhora...
pois é... agora é hora de reiniciar...
de pensar na luz...
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado...
diferente?
Um novo curso...
ou aquele velho desejo de aprender a
pintar... desenhar... dominar o computador...
ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...
quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.
Tá se sentindo sozinho?
Besteiras...
tem tanta gente que você afastou com o
seu "período de isolamento"...
tem tanta gente esperando um sorriso teu
para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...
nem nós mesmos nos suportamos...
ficamos horríveis...
o mau humor vai comendo nosso figado...
até a boca fica amarga.
Recomeçar...
hoje é um bom dia para começar novos desafios.
onde você quer chegar?
Ir alto... sonhe alto...
queira o melhor do melhor...
queira coisas boas para a vida...
pensando assim trazemos pra nós aquilo que
desejamos...
se pensamos pequeno...
coisas pequenas teremos...
já se desejarmos fortemente o melhor e
principalmente
lutarmos pelo melhor...
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental...
joga fora tudo que te prende ao passado...
ao mundinho de coisas tristes....
fotos... peças de roupa, papel de bala...
ingressos de cinema, bilhetes de viagens...
e toda aquela tranqueira
que guardamos quando nos
julgamos apaixonados...
jogue tudo fora...
mas principalmente...
esvazie seu coração...
fique pronto para a vida...
para um novo amor...
Lembre-se somos apaixonáveis...
somos sempre capazes de amar muitas vezes e
muitas vezes...
afinal de contas...
Nós somos o "AMOR"...

Quebrador de pedras


Autor Desconhecido
 
Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida.
Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras que freqüentavam a mansão.
Quão poderoso é este mercador!- pensou o quebrador de pedras.
Ele ficou muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante. Para sua grande surpresa ele repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que ele jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele.
Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe.
Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem. Quão poderoso é este oficial!-- ele pensou.
Gostaria de poder ser um alto oficial! Então ele tornou-se o alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta.
Era um dia de verão quente, e o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol.
Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente pela sua reles presença abaixo. -- Quão poderoso é o Sol! - ele pensou. - Gostaria de ser o Sol! Então ele tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando seus raios para a terra sobre tudo e todos, crestando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores.
Mas um dia uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a terra, e seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele. Quão poderosa é a nuvem de tempestade! ele pensou - Gostaria de ser uma nuvem! Então ele tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos.
Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal, e soube que era o vento que fazia isso. Quão poderoso é o Vento! - ele pensou. Gostaria de ser o vento!
Então ele tornou-se o vento de furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, temido e odiado por todas as criaturas na terra. Mas em determinado momento ele encontrou algo que ele não foi capaz de mover nem um milímetro, não importasse o quanto ele soprasse em sua volta, lançando-lhe rajadas de ar.
Ele viu que o objeto era uma grande e alta rocha. Quão poderosa é a rocha! - ele pensou. Gostaria de ser uma rocha! Então ele tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, inamovível.
Mas enquanto ele estava lá, orgulhoso pela sua força, ele ouviu o som de um martelo batendo em um cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu a si mesmo sendo despedaçado. O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha?!? - pensou surpreso. Ele olhou para baixo de si e viu a figura de um quebrador de pedras.

Solte a panela


(caso saiba o autor, avise-me para creditar o texto)

"Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento.
A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores.
Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida.
Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.
Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo.
Na verdade, era o calor da tina...
Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava.
O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.
Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo.
Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu Corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida.
O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu Imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.
Quando terminei de ouvir esta história de um mestre, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes.
Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes.
Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero.
Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.
Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir.
Tenha a coragem e a visão que o urso não teve.
Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder.
Solte a panela! "