quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Morcegos também gostam de flores


por: José Almir Rosa

Gosto muito da natureza, particularmente das plantas e dos pássaros. Mesmo estando no meio de uma selva de pedra e dentro de uma caixa de concreto (o apartamento), crio meios e modos visando a estar próximo da nossa mãe universal.

Recentemente comprei um daqueles bebedouros que se coloca para os beija-flores. Não demorou e os coloridos passarinhos passaram, para minha alegria, a visitar o local e encantar o observador.

Vejo que o objeto também atrai outras espécies de pássaros, abelhas e formigas. Estas últimas, infelizmente, indesejadas porque tomam conta do bebedouro e interrompe o tão belo ritual dos beija-flores.

Nos finais de semana comecei a observar as cores e tipos dos visitantes. Sem exceção, todos belíssimos e com peculiaridades individuais que encantam qualquer um que tenha tempo e paciência para esperá-los.

Numa destas esperas, já acomodado num pufe, meu observatório improvisado, cochilei e com isto a noite chegou. Junto com ela surgiu algo que me causou grande estranhamento. Os morcegos começaram a voar naquele espaço e a sugar a água com açúcar depositada para alimentar os beija-flores.

Em princípio os repudiei. Pensei que a minha tão divertida missão de observar pássaros estava ameaçada por aqueles ratos voadores. Infelizmente até então a minha visão preconceituosa colocava os bichinhos no mesmo patamar dos roedores dos esgotos, animais que me causam grande aversão.

Recolhi o bebedouro na esperança de afugentar os morcegos. Não deu certo. Ao deixá-lo lá novamente, tal como os pássaros do dia, vinha os amantes do néctar de açúcar da noite. Ambos gostam de flores.

Fui vencido pela persistência. Por curiosidade passei, sempre que possível, a observar os dois grupos, os diurnos e os noturnos. Aos poucos fui percebendo que os animaizinhos da noite estavam sendo foco do meu preconceito. Havia beleza em um e no outro.

Com este fato eu acabei percebendo que vitimamos muitos com o nosso olhar. Quantos "morcegos", "ratos voadores", "peludinhos de asas" repudiamos de nossas vidas porque acreditamos que somos a única espécie com direito ao néctar das flores ou mesmo a água com açúcar. A todo custo procuramos afugentá-los simplesmente porque acreditamos que a beleza reside apenas nas plumas coloridas dos pequenos beija-flores.

Beija-flores tem um tipo de beleza, morcegos têm outra. Os primeiros voam sob a luz do dia, os segundos à noite. Cada um, com suas peculiaridades, tem uma função na natureza. Ambos são criaturas do mesmo criador. Todos merecem ter o nosso respeito e o nosso carinho. Devemos viver harmonicamente. É a lei universal!

Tudo que for diferente disto cai na vala do preconceito e nos torna muito próximos dos ratos. No passado tivemos um líder nazista que agiu desta forma. Hoje não precisamos ir muito longe para encontrar seus seguidores. Extremistas como os skinheads ou anônimos que estão no meio de nós.

É possível corrigir o nosso olhar. Há beleza na diversidade. Fora disto deixamos de buscar alimentos nas flores para buscá-los no lixo. Lixo dá doenças, tem mau cheiro e tem ratos. Estes não têm asas. Sendo assim, continuo admirando beija-flores. Aprendi a gostar dos morcegos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O rabo do vira lata

Por José Almir Rosa

Gosto de gente. Gosto de observar as pessoas, seus hábitos e atitudes. Faço muito este exercício quando caminho pelas ruas da cidade. Quantas idas e vindas, quantos passos apressados, quantos olhares desconfiados e muita, mas muita pressa.

Com a pressa caminhamos num amontoado de pessoas como se estivéssemos sozinhos. Triste. Somos solitários na multidão. Mais solitários do que os transeuntes, são os moradores de rua. Coitados! Vivem nas sarjetas, maltrapilhos, ignorados por todos e abandonados pelo Estado. Só Deus os assiste e os vira latas. Isto mesmo, quase sempre do lado de uma destas pessoas há um ou mais cães acompanhando-os e dando a eles um pouco de carinho e companhia. Lembre-se que eles vivem sozinhos na multidão.

Foi graças a um destes animais que resgatei, com meu olhar, uma destas pessoas que ficam envolta a jornais e plásticos dormindo na calçada. O cão vira lata "puro" focava o olhar no seu dono e a qualquer movimento deste, balançava o rabo.

Naquele instante, o rabo deste animal me avisou que ali, a poucos metros de onde estava, havia um ser humano que, por uma situação peculiar, tinha se tornado um morador das ruas. Tal pessoa tinha como única companhia o seu cão amarelo que eu tinha certeza que era um vira lata puro.

A imagem me chamou a atenção. Automaticamente comecei um processo de reflexão no qual nascem muitas perguntas e poucas respostas? Por quê?

Creio que há um misto de culpa e solidariedade por ver uma pessoa em tamanha miséria. Parece que para nos protegermos, optamos por limpar tal realidade do nosso campo de visão. Elas podem continuar existindo, mas usamos subterfúgios para não as enxergamos.

Naquele instante o vira lata mudou isto. Aquele balançar do rabo era um gesto de carinho muito peculiar. Algo bem maior que a maioria que estava passando por ali fazia. Inclusive eu!

Iria continuar a minha jornada, mas, mesmo que não quisesse, teria que levar o rabo em movimento na minha memória. Fiz a minha mea culpa e prometi para eu mesmo olhar mais para os moradores de rua. Mesmo que do lado deles não haja um vira lata.

Espero que outras pessoas vejam os vira latas. Espero também que não faltem rabos balançando para os mendigos. Isto, ao menos, até que haja mais corações que tenham sensibilidade com esta população que vive nas ruas na companhia de seus cães vira latas.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Muito cheiro, muito tempero. Sem exagero!


Por José Almir da Rosa

 Gosto muito de ouvir o mineiro conversar. Sempre que tenho oportunidade aprendo um pouco de "mineirês". Uai, acho que isto se deve porque carrego Minas no coração.

Creio que um dos papos preferidos do mineiro é a rica gastronomia. Para provar que não estou equivocado ouvi, de uma amiga, a Beth, mineira de Curvelo, uma história que julgo merecedora de ser relatada.

Ela, a Curvelense, desceu do táxi e se deparou com outro "mineirim". Ambos detectaram um cheiro de comida no ar e o papo começou.

 - É carne de panela. Será? Acredito que seja sim. Penso que é de porco. Lombo. Será que não é bife acebolado? Bife acebolado não deve ser não. Pode ser fígado com jiló. Nossa, isto me faz lembrar dos pratos do Mercado Central. A cervejinha no balcão de pedra. Sim, uma delícia.

Mas eu acho que seja carne de panela sim. Pode ser. Se for fica bem com um angu. Fica mesmo. Couve picada bem fininha combina também. Claro, combina. Olha o cheiro da mostarda. Pimenta biguinho, não?

Isto me lembra o velho fogão de lenha. Tudo fica muito melhor no fogão a lenha. Sim minha mãe era uma ótima cozinheira. A minha ainda é. Almocei com ela na semana passada. A minha já morreu, mas fazia um arrozinho branco como ninguém.

Perceba que o cheiro aumentou? Sim. Comida mineira é assim: muito cheiro, muito tempero. Sem exagero!

Meu prato preferido é frango com quiabo. O meu também. Mas tem que ter o angu. De preferência com aquele fubá mais grosso e sem sal. Gosto também de berinjela refogada. Sim é bom demais.

Sabe que o cheiro está parecendo de lombo assado com abacaxi. Pode ser. O importante é que está muito bom. Nossa, está sim. Já estou sentindo fome.

Eu ainda não porque comi pão de queijo no café. Saí atrasado e só comi uma fatia de queijo. Minas? Claro, o melhor que se tem.

Alho frito. O quê? Estou sentido o cheiro de alho frito. Deve ser para refogar a couve. Ou dourar o torresmo. Nossa! Isto me fez salivar. Eu também!

Sua avó cozinhava? Muito, e à sua? Sim. Doce de leite era a sua especialidade. Gostava mais em pedaços.

É feijão! O alho estava sendo frito para temperar o feijão. Feijão ou feijoada? Feijoada é na sexta. Para mim vai bem a qualquer dia.

Gosto com pedaços de laranja bem azeda. Sim, ajuda na digestão.

Prefiro uma dose de branquinha. Ah, isto tem o seu lugar. Salinas? A melhor que está tendo.

Nossa! A fome aumentou. A minha já está começando. Também com este cheiro de carne de panela. Carne de boi ou de porco? 

temperos revista época.jpg

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

a gente acostuma

por: Marina Colasanti

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem outra vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha pra fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o Jornal no ônibus porque não pode perder o tempo de viagem. A comer sanduíches porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz aceita ler todo dia, de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios, a ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar por ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável, à contaminação da água do mar, à lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galos na madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só o pé e sua o resto do corpo.. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto acostumar, se perde de si mesma.




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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A cidade e os pombos

por: José Almir da Rosa

As cidades estão sendo invadidas por pombos. De símbolo da paz tais aves têm se tornado motivo de desavenças e doenças, inclusive, como pode provar o meu amigo Novalimense, tirando o sono de muita gente.

Esta realidade é bem mais antiga do que se imagina. Estudos datam que os columbiformes estão no nosso meio desde 4.500 antes de Cristo.

Não há nenhum predador nas grandes cidades para eles. Sua reprodução é rápida, o que gera uma população cada vez maior. Eles estão se tornando um grave problema ambiental ao homem, já que abrigam alguns parasitas que podem ser nocivos à nossa saúde. Além disto, eles têm a capacidade de defecar na cabeça dos distraídos que caminham embaixo das velhas marquises.

Mas estes seres vivos não são de todo ruim. Muita gente gosta de ver suas revoadas e, nos parques e praças, encantam crianças e idosos, que comumente, distribuem pipocas aos vorazes pássaros. São eles também que atuaram como pombo correio. Hoje, infelizmente, são mais usados para levar drogas e celulares para dentro dos presídios.

Não sei ao certo o quanto tais aves vivem, só sei que a morte deles, se promovida pelas pessoas, é passível de multa e até de prisão. Existe uma lei que os protege dos seres humanos. O contrário não é verdadeiro.

No geral a população tolera bem os pássaros. Eles, do jeito sorrateiro de serem pombos, acabam convivendo bem com os humanos enquanto vivem.

Tal harmonia foi quebrada recentemente num prédio comercial do centro. Isto porque dois exemplares desta espécie apareceram mortos num local de difícil acesso e de grande visibilidade dos usuários do edifício.

De imediato foram falar com representantes do síndico. Este, por sua vez, percebeu que a situação fugia ao controle da administração do prédio porque o acesso a tal local só seria possível por meio de uma agência bancária localizada ao lado. Foi feito um primeiro contato com os representantes da agência. A resposta foi bem padrão. Teriam que submeter o pedido de acesso ao gerente geral que ficava em São Paulo. Longe, né?

Com o calor as coisas começaram a piorar. O temor pelo mau cheiro era grande. Cogitou-se chamar os bombeiros. Mas é sabido que bombeiro tira gatos vivos das árvores, agora pombo morto ainda não se tem notícias.

Surgiu outra ideia entre os envolvidos. Contratar alguém que fizesse rapel. Calculou-se que isto poderia ser invasão de propriedade, logo, um crime.

Não foi esquecido nem das formigas. Será que elas não fariam a tão almejada limpeza?

O tempo foi passando e os dois pombos continuavam enrijecidos e intocáveis. O banco não se manifestou mais. A situação parecia insolúvel.

Quando todos já estavam sem esperança de sanar o problema, o telefone tocou e a faxineira resolveu a questão.

As aves devem ter ido para o céu dos pombos e seus corpos para algum lixão da cidade. Aos envolvidos só restou voltar ao trabalho na expectativa que tal fatalidade não volte a ocorrer na cidade e com os pombos.

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 Abraços!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A travessia de Teresa

por: José Almir da Rosa

Depois de uma noite mal dormida, acordei atrasado e tive que acelerar tudo a fim de conseguir chegar dentro do horário ao trabalho. Como é de costume caminhei a passos largos até a passarela que precisava cruzar a fim de chegar ao ponto de ônibus.
Lá, praticamente já no horário em que o meu ônibus passava, me deparei com um senhora de cabelos brancos, meio debilitada e com muitas marcas no rosto. Creio que ela deveria ter uns 80 anos.
A velha senhora me relatou que tinha embarcado no ônibus errado e que necessitava atravessar a avenida, a fim de retornar ao seu ponto de origem. Indiquei-lhe a passarela e qual não foi a minha surpresa quando lágrimas escorreram pelo seu rosto e meio cabisbaixa disse-me que não podia. Tinha medo de altura.
Naquele momento eu tinha que escolher entre ajudar aquela pobre senhora ou embarcar no meu ônibus. Escolhi ajudá-la e dei o braço à vovó que se apresentou com Teresa.
Com passos lentos fomos em direção a passarela e a senhora me disse que lamentava que necessitasse da ajuda de estranhos para poder se locomover em situações como aquela. Ela falou-me que era mãe de muitos filhos e tinha dezenas de netos mas, na atual circunstância, todos tinha seus afazeres e ela não podia contar com eles para mais nada.
Começamos a subir a rampa da passarela e ao ouvir o lamento daquela avó me lembrei da minha que também se chamava Teresa. Como gostaria de estar ali subindo com minha vozinha segurando em meus braços como fazia à senhora Teresa. Infelizmente minha vovó, há muito tempo, já foi morar na eternidade.
Já no alto da passarela a senhora me relatou que sofreu um AVC há alguns anos e desde então tinha ficado com problema em relação à altura. Que gostaria muito que um dos seus filhos ou netos a entendessem e agissem da mesma forma que eu estava agindo. “Acham que as coisas que falo e faço são caduquices”, disse ela.
Novamente fiz um paralelo com  a minha avó Teresa. Lembrei-me dos seus ensinamentos em relação ao respeito com os mais velhos. Lembrei do zelo que tinha com nós, os netos e também a alegria que tínhamos em tê-la do nosso lado.
Naquela travessia eu percebi que nem tudo era da forma deveria ser. Que existem muitas Teresas, Martas, Marias, João e José, idosos, que estão jogados a própria sorte porque os filhos estão atarefados com seus afazeres.
A travessia chegava ao final e a vovó Teresa não se cansava de me agradecer. Suas palavras doces e suaves foram atingindo a minha alma e uma paz foi irradiando pelo meu corpo.
A história já teria tido um final feliz se tivesse acabado ali. No entanto, já sem Teresa, encontrei um senhor também idoso que me parou e disse firmemente: eu vi o que você fez. Apontou para o céu e disse: Ele também.



quinta-feira, 24 de maio de 2012

A melhor religião do mundo

Por José Almir da Rosa


 Andar de ônibus lotado é bem desconfortável, mas, como não se trata de algo opcional, compete ao passageiro descobrir meios e modos para amenizar o desconforto da viagem. Arrumar uma distração.

Foi isto que fiz numa das minhas vindas ao centro da cidade. Comecei a observar o papo entre duas senhoras que falavam de religião. Bastante empolgadas, ambas defendiam a tese de que a igreja que frequentava era a verdadeira e que por meio dela encontraria a salvação. Pelo que pude perceber, observando o tom da voz e a gesticulação, ambas frequentavam igrejas diferentes, mas evangélicas, já que a todo o momento era falado uma adjetivo para o pastor da referida igreja.

Apenas como ouvinte participei de todo o diálogo entre elas. Também fui fazendo as minhas indagações e formando a minha opinião a respeito do tema. Qual das duas estaria certa? Sendo eu de religião diferente estaria condenado? E as outras religiões que existem no mundo? E quem não é cristão e às vezes nem tem uma religião?

Meus questionamentos cessaram quando me lembrei de uma canção de Renato Russo baseada no texto bíblico da Primeira Carta aos Coríntios. Trata-se do hino ao amor: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine em vão."

Fazendo uma analogia creio que independentemente da religião ou mesmo da falta dela, o que importa é vivermos o amor. Refiro-me ao amor "ágape", ou seja, aquele que é doação à pessoa amada sem necessitar ter nada em troca.

Baseado nesta conclusão eu desejei voltar ao encontro daquelas senhoras para lhes dizer que as duas poderiam fazer parte da verdadeira religião se aquilo que era pregado em seus templos fosse baseado no verdadeiro amor.

Ia lhes dizer mais. Que todas as religiões estão corretas se a essência for o amor ágape. Apenas faria uma ressalva também me baseando nos ensinamentos bíblicos. Todas têm que pregar o amor e a liberdade. Até porque sem liberdade não é possível amar verdadeiramente.

E finalizaria dizendo a elas para não se preocuparem porque tudo vai passar, até as religiões. O que será eterno, de fato, é o amor. Pelo menos é isto que o mesmo autor das Cartas aos Coríntios escreve: "O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá". E para concluir escreveu: "agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor". Eu acrescentaria também a liberdade.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

VALE A PENA VER

Se você SENTE  a mesma indignação minhas no que se refere ao reajuste dos vereadores de Belo Horizonte, eis um vídeo que tem que ser visto e repassado. Cidadania já!

http://www.youtube.com/watch?v=feYhynsc-Mk&feature=player_embedded

Comunicado da população de Belo Horizonte à Câmara dos Vereadores



ZÉ ALMIR

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 Abraços!