As cidades estão sendo invadidas por pombos. De símbolo da paz tais aves têm se tornado motivo de desavenças e doenças, inclusive, como pode provar o meu amigo Novalimense, tirando o sono de muita gente.
Esta realidade é bem mais antiga do que se imagina. Estudos datam que os columbiformes estão no nosso meio desde 4.500 antes de Cristo.
Não há nenhum predador nas grandes cidades para eles. Sua reprodução é rápida, o que gera uma população cada vez maior. Eles estão se tornando um grave problema ambiental ao homem, já que abrigam alguns parasitas que podem ser nocivos à nossa saúde. Além disto, eles têm a capacidade de defecar na cabeça dos distraídos que caminham embaixo das velhas marquises.
Mas estes seres vivos não são de todo ruim. Muita gente gosta de ver suas revoadas e, nos parques e praças, encantam crianças e idosos, que comumente, distribuem pipocas aos vorazes pássaros. São eles também que atuaram como pombo correio. Hoje, infelizmente, são mais usados para levar drogas e celulares para dentro dos presídios.
Não sei ao certo o quanto tais aves vivem, só sei que a morte deles, se promovida pelas pessoas, é passível de multa e até de prisão. Existe uma lei que os protege dos seres humanos. O contrário não é verdadeiro.
No geral a população tolera bem os pássaros. Eles, do jeito sorrateiro de serem pombos, acabam convivendo bem com os humanos enquanto vivem.
Tal harmonia foi quebrada recentemente num prédio comercial do centro. Isto porque dois exemplares desta espécie apareceram mortos num local de difícil acesso e de grande visibilidade dos usuários do edifício.
De imediato foram falar com representantes do síndico. Este, por sua vez, percebeu que a situação fugia ao controle da administração do prédio porque o acesso a tal local só seria possível por meio de uma agência bancária localizada ao lado. Foi feito um primeiro contato com os representantes da agência. A resposta foi bem padrão. Teriam que submeter o pedido de acesso ao gerente geral que ficava em São Paulo. Longe, né?
Com o calor as coisas começaram a piorar. O temor pelo mau cheiro era grande. Cogitou-se chamar os bombeiros. Mas é sabido que bombeiro tira gatos vivos das árvores, agora pombo morto ainda não se tem notícias.
Surgiu outra ideia entre os envolvidos. Contratar alguém que fizesse rapel. Calculou-se que isto poderia ser invasão de propriedade, logo, um crime.
Não foi esquecido nem das formigas. Será que elas não fariam a tão almejada limpeza?
O tempo foi passando e os dois pombos continuavam enrijecidos e intocáveis. O banco não se manifestou mais. A situação parecia insolúvel.
Quando todos já estavam sem esperança de sanar o problema, o telefone tocou e a faxineira resolveu a questão.
As aves devem ter ido para o céu dos pombos e seus corpos para algum lixão da cidade. Aos envolvidos só restou voltar ao trabalho na expectativa que tal fatalidade não volte a ocorrer na cidade e com os pombos.
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