por: José Almir da Rosa, jornalista e ex-religioso
As vezes até acredito que se trata de uma brincadeira a postura da Igreja Católica em relação a temas tão controversos como o uso da camisinha, tão criticado pela entidade e amplamente utilizado pelos seguidores. A questão do casal divorciado frequentar as missas já deixado no ostracismo pelos padres e agora a união homo afetiva decidido pelo Supremo Tribunal Federal.
neste último caso, tão comentado nos corredores sagrados, a Igreja esqeuceu de interpretar a decisão dos ministros que fizeram questão de frisar que, não se trata de doutrina, mas sim de dignidade humana, questão amplamente difundida pela Igreja e pelo próprio Cristo.
Parece-me que o que está por trás de todo este discurso eclesial é a insegurança de não saber como lidar com esta situação, com o novo. Infelizmente, toda vez que isto aconteceu na Igreja, inocentes foram lançados as chamas em nome do zelo pela fé.
Pela decisão do STF, duas pessoas que se amam e tem uma vida em comum têm direito iguais a todos que vivem nestas condições. Na prática os casais homossexuais passam a ter direitos, como herança, inscrição do parceiro na Previdência Social e em planos de saúde, impenhorabilidade da residência do casal, pensão alimentícia entre outras. O que há de mal em tudo isto? O fato de os homossexuais adquirirem estes direitos lesará o direito dos demais? Não.
Se a preocupação da Igreja se baseia no conceito de família, ela deveria começar por rever a forma que os seus representantes vivem. O celibato dos padres e freiras pode ser, sob mesmo ângulo de visão, uma afronta ao núcleo famíliar.
Homens e mulheres, para viver a sua vocação, são obrigados a abrir mão do casamento e dos filhos. A respeito disto a igreja sequer admite dialogar.
Outra incoerência absurda, facilmente comprovada por quem vive ou viveu neste meio é que dentro dos muros da Igreja há um grande número de integrantes homossexuais. Porque será que Igreja se cala para tal realidade?
Apesar do posicionamento oficial da Igreja Católica, nem tudo está perdido. A outra Igreja, ou seja, o povo de Deus e suas pastorais têm adotado um discurso mais tolerante e de aceitação do homossexual.
No discurso pastoral há um Deus que ama a todos e os aceitam como são. Neste discurso é posto em prática os ensinamentos do Mestre Jesus que calou a todos os hipócritas quando disse que "aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra". Resta nos acreditar que os representantes oficiais da Igreja "não sabem o que fazem", o será que sabem e por isto mesmo continua fazendo?
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