quinta-feira, 17 de outubro de 2013

FW: DEMOSTRATIVO DE CHEQUE EM PROTEST0 Nº 00016321184 17/10/2013 14:36:13 0,1362537

Prezado Cliente (a)

Segue abaixo cópia do cheque Protestado


 

Anexos : 1 anexo(s) | Visualizar (355,0 KB)

2013 Serasa Experian. Todos os direitos reservados.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Novo blog

Prezado visitante. Estou migrando as informações deste espaço para um novo blog. Te espero lá para uma visita:

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A beleza do diferente


por: José Almir da Rosa

Às vezes fico imaginando se a civilização se tornasse a raça ariana defendida e projetada por Hitler. Fico imaginando, também, se houvesse uma única religião, se todas as pessoas fossem da mesma altura, mesmo peso, mesma cor, mesmo gosto. Fico pensando se todos gostassem somente do vermelho, do sal, da noite, do frio, do outono. O mundo seria muito chato. Seria mais ou menos como viver dentro de uma casa pintada somente de branco com móveis de cor igual ou comer um belo feijão tropeiro sem colocar sal. Insosso.

Sob este prisma, que acredito não ser somente meu, questiono então porque existe tanto preconceito. Por que o diferente é motivo de tanta discussão, guerras, mortes e outras violências? Não seriam eles que dariam o colorido, o sabor para a vida? Todos somos filhos do mesmo Criador e, sendo assim, cada um, independentemente da sua particularidade, é um projeto ímpar na criação que está neste mundo para somar, não para dividir.

Aquilo que a gente julga como diferente, na maioria das vezes está só no externo, que por sua vez é fruto de meras convenções sociais.

Esta reflexão me faz lembrar o tempo que morava em São Paulo. No primeiro emprego tive a alegria de ter um colega que me ajudou muito no processo de aprendizagem da nova função. Ele, do alto escalão, vestia terno e gravata e usava óculos. Parecia um doutor. Num dia, caminhando no Parque Ibirapuera, um rapaz com estilo hippie me abordou. Era ele. Até aquele momento eu tinha muito preconceito com aquele estilo de pessoas.

Histórias semelhantes eu já ouvi sobre negros, deficientes físicos e homossexuais. Sobre este último, bem recente, no ônibus. Duas senhoras idosas falavam sobre o atendimento dos enfermeiros  de um determinado hospital. Uma delas disse que gostava muito de lá porque tais profissionais eram excelentes. Ela acreditava que isto se dava porque a maioria era gay.

A índole de uma pessoa está no coração e não na pele. Lamentavelmente a gente, na maioria das vezes, pensa ao contrário. Ninguém está livre de sentir algum tipo de preconceito. Mas todos podemos lutar contra este câncer social. É um processo de crescimento pessoal, de amadurecimento da sociedade.

Bob Marley disse certa vez que "enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra". É isto aí, busquemos olhar mais a essência do que a aparência e não cansemos de buscar a paz!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Rosto

por: José Almir da Rosa

Caminhava apressado pelo centro da cidade quando observei dois adolescentes, em tom de sátira, comentarem sobre um senhor idoso que pedia esmola embaixo de uma marquise. São tantos!

A postura dos meninos chamou a minha atenção e fez com que eu diminuísse os passos apressados que me levavam ao trabalho. Voltei meu olhar para o pedinte e notei que seu rosto se destacava dos demais devido às grandes e profundas rugas que preenchia a sua face.

Realmente o ser que estava na sarjeta chamava a atenção. Além dos sulcos na face, ele tinha um semblante de dor que, somado às suas vestes surradas e sujas, faziam dele objeto de escárnio por parte de uns, de sátira por outros e de pena pelos demais.

Pela sua situação julguei que tinha cerca de 70 anos, talvez menos. Apesar da sujeira concentrada, destacava em sua face a barba branca e os olhos esverdeados.

Imaginei o quanto de história aquela pessoa já havia testemunhado. Qual seria o seu nome? Será que ele viveu sempre assim? Seria aposentado? Teria família? Era avô?

Questionamentos sem respostas que foram interrompidos pelo barulho de duas moedas que caíram no chapéu.

Um leve sorriso quebrou a sisudez daquele rosto. Vi dentes. Eram amarelados e muito irregulares. Naquele movimento vi também um pouco da sua alma. Ele expressou gratidão, abençoando o gesto de doação.

Novamente o semblante se tornou sério, sisudo, quase imóvel. Já o contemplava há minutos, de longe, para não causar estranheza. Duas senhoras bem vestidas também se aproximaram. Vi que uma delas lhe ofereceu algo para comer. Ele não aceitou. Ambas, revoltadas pela negativa, saíram balbuciando palavras. Não eram elogios.

Não tinha mais tempo para permanecer ali. Afastei-me. Os questionamentos seguiram comigo.

Não tinha dado esmola para o mendigo, mas sabia que aquele homem tinha levado algo de mim. Naquela manhã de outono meu coração tinha se tornado menos frio. Aquele rosto do meio da multidão, de alguma forma, resgatou a minha sensibilidade em relação a outro ser humano.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Coisas que aprendi na infância

por: José Almir da Rosa 

Numa roda de bate papos conversávamos sobre alguns ensinamentos que tivemos na infância escolar e que ficaram em desuso no tempo. Quem não sofreu com o quadrado da hipotenusa, raiz quadrada, enfim...

 Coincidência ou não, ouvi a mesma temática numa sala de espera de um consultório médico. Refiro-me aos ensinamentos que tivemos no seio familiar e que para muitos ficou para trás.

 Diante destes fatos comecei a recordar de alguns destes ensinamentos que hoje fazem parte de minha vida. Um exemplo é o respeito com os idosos. Este era um ponto indiscutível na minha infância. Os mais novos jamais poderiam se indispor com as pessoas mais velhas. Ai de mim ou de meus irmãos se não obedecêssemos estes preceitos. Sem dúvida teríamos um encontro com a vara de marmelo. Aquilo doía demais!

 Ao contrário de algumas fórmulas de matemática, tal ensinamento hoje é bastante útil na minha vida. Procuro olhar as pessoas idosas como mestres. Vejo que o passar dos anos é sinônimo de sabedoria para a grande maioria. Não há outra forma de obter este rico aprendizado senão bebendo na fonte do conhecimentos destas pessoas.

 Dividir e respeitar o alimento são coisas que também me recordo. Só podíamos pôr no prato o que de fato fôssemos consumir. Nada de criar "picos". As panelas não fugiriam dali. A mistura era somente um pedaço de carne. O alimento devia ser tratado como algo especial, sagrado.

 Hoje vejo tanto ensinamento em tudo isto. Aprendi que não devo gastar com coisas supérfluas. Que o meu excesso pode gerar a escassez na vida de um próximo. Que o alimento é sinônimo de vida e que esta transcende a nossa materialidade.

 Lembro-me também da questão da espiritualidade. Quanto isto faz falta nos dias atuais. Desde pedir bênção para os pais ao dormir, até respeitar o Sagrado em todas as suas formas eram atitudes constantemente exigidas de nós.

 Não somos máquinas! Temos um espírito e este almeja por um alimento. Muitos dos problemas sociais seriam evitados se a humanidade não tivesse se esquecendo disto. As novas gerações sofrem pela falta da visão de transcendência.

 Dentre as minhas lembranças recordo também que meus pais sempre ensinavam que tínhamos que ter respeito pelo outro. Curiosamente lembro-me que uma vez peguei um estilingue e bati no meu irmão mais novo. Nem preciso dizer o que meu pai fez comigo. Muita dor na época. Ótimos ensinamentos.

 A ganância por sempre querer mais, a falta de espiritualidade e outros males dos tempos modernos têm provocado situações absurdas no meio social.

 O motivo de tudo isto talvez seja que nos tempos atuais as famílias usam outras cartilhas para repassar estes ensinamentos  aos filhos. A TV, internet e mídias em geral. Nestas cartilhas quase sempre o consumismo e o modismo ensinam que a gente tem que comprar, consumir e acumular. Satisfazer o nosso ego a qualquer custo.

 Penso que está na hora de a gente  recordar, viver e anunciar a todos que outro mundo é possível. Eu acredito!

terça-feira, 19 de março de 2013

Escutar com a Alma

por: José Almir Rosa

Um colega me sugeriu que criasse um curso de escutatória. Isto não seria novidade, Rubem Alves, numa de suas crônicas, disse ter pensado igual e, da mesma forma do que ele, acredito que não haveria público para isto.

 No texto de Alves, ele cita uma frase de Alberto Caeiro: "não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma."

 Vivemos numa sociedade que está carente de pessoas que estejam dispostas a escutar com o silêncio da alma. Até ouvem, mas escutar é algo que o corre-corre do dia-a-dia e diversos outros fatores impedem que aconteça.

 Escutar parece ser coisa antiga, de cidade do interior, de pessoas mais velhas ou sem ocupação. Outros ainda acreditam que tal ação é de competência exclusiva de profissionais que são remunerados para esta finalidade.

 Como citei no início do texto, muitas pessoas ouvem as outras. Isto é pouco. Ouvimos o barulho das ruas e o latido do cão. O ideal é que a gente aprenda a escutar, que pode ser definido como dar atenção a; tornar-se atento para ouvir; dar ouvidos a; perceber; espiar; auscultar.  Para que isto seja possível, é necessário que se tenha tempo e vontade. Isto está se tornando raridade.

 Há pais que não escutam filhos, filhos que não escutam pais. O diálogo está sendo suprimido pela televisão, pelo computador e por outras parafernálias tecnológicas que estão surgindo. Estamos preenchendo o nosso tempo, o dia todo, com elementos que nos impedem de escutar.

 No ambiente profissional a situação é semelhante. Grandes problemas deixariam de existir ou seriam facilmente solucionados se parássemos e escutássemos os nossos colegas de trabalho. Dialogar com os ouvidos.

 Respondendo ao meu colega, afirmo que é possível fazer um curso de escutatória, desde que seja prático e pessoal.  O primeiro passo é exercitar o silêncio. Em seguida escutar e não simplesmente ouvir o mundo à sua volta.

 Na faculdade eu aprendi um exercício que pode ajudar neste processo. Ao sair de casa, "ligue o seu radar" auditivo para captar os sons que chegam até você. No silêncio comece a distinguir cada barulho. Se um cão late, observe se ele é grande ou pequeno. Se um pássaro canta, busque identificar a sua espécie. Outros barulhos surgirão. Ouça-os atentamente. Individualize-os.

 Vencida esta etapa, passe para o segundo módulo. Escute as pessoas que estão a sua volta. Nesta etapa é muito comum que o escutador ouça rapidamente e acabe por falar quase que o tempo todo. Erro gravíssimo que deve ser corrigido sempre.

 No mais é prática e, como bem escreveu Alberto Caieiros citado por Rubem Alves: escute sempre com a alma. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O rosto de Deus

por: José Almir da Rosa

 Quando eu era criança, a imagem que eu tinha do rosto de Deus era de um senhor de barbas brancas e que, com o seu poder, tudo via, inclusive os nossos pensamentos. Era um Deus que nos causava temor e nos obrigava a cumprir todos os seus preceitos sob a pena de morrer e ir para o inferno.

Hoje tudo mudou, até mesmo a forma com este mesmo Deus é apresentado à humanidade. Salvo algumas exceções, hoje temos o rosto de um Deus mais humano, mais próximo da realidade das pessoas. Creio que seguindo os preceitos bíblicos: imagem e semelhança do ser humano. Não abordo tal temática porque quero apresentar uma tese de teologia. Longe disto!

Na verdade eu quero contar uma história que aconteceu comigo ali na Praça da Estação (região central de Belo Horizonte). Eis que vinha para o centro num ônibus lotado, meio molhado por causa da chuva. Ainda por cima atrasado. Estava em pé, cabisbaixo e ansioso para chegar ao meu destino. Infelizmente, por conta da chuva, o trânsito estava lento e meu ônibus podia, com grande chance de perder, disputar uma corrida com uma tartaruga.

 Num ponto de ônibus ali da Av. Andradas, pouco depois da Praça, uma mãe com um menino de uns cinco anos esperava o coletivo. Ambos estavam meio molhados. O menino estava sentado, meio encolhido e com a cabeça no colo da mãe. Ainda bem que não estava frio porque ambos estavam sem agasalhos.

Sem nada para fazer, buscando uma distração, de dentro do ônibus, fiz um sinal de joia para o pequeno. Discretamente fui correspondido. Percebi que havia algo de diferente naquela criança. Minha curiosidade foi aguçada e novamente fiz o gesto no intuito de ter uma resposta. Ele me respondeu.  Junto com a resposta deu um sorriso meio tímido e apontou para a mãe como que querendo me dizer que ela podia não gostar do nosso diálogo gestual.

 O ônibus continuava na velocidade do quelônio, mas a esta altura nem ligava porque a minha curta relação com o menino tinha expulsado a ansiedade. Continuei a mexer com a criança e aos poucos ela foi se abrindo e fazendo novos gestos. De repente ela se sentou, apontou para a boca, com um gesto negativo informou que não podia falar. Em seguida apontou para o pescoço e vi que o mesmo tinha uma intervenção na traqueia. Após este momento ele ainda expressou muitos outros gestos inclusive que estava feliz. Desenhou isto na sua face.

 Meu ônibus começou a andar. Dei tchau ao pequeno. Ele sorriu. Não ouvi o som, mas pelo seu rosto parecia uma gargalhada. Aquilo me contaminou e de repente percebi que aquela felicidade tinha me contaminado. O sorriso ficou para trás. Percebi naquele instante que tinha acabado de estar diante do rosto de Deus.