quarta-feira, 17 de novembro de 2010

BR 381


por José Almir da Rosa
 

Tenho o hábito de contatar  minha mãe que mora no Paraná para avisá-la que sairei para viajar. No último feriadão fui surpreendido com um pedido especial. Que eu não trafegasse pela Rodovia da Morte que está aqui em Minas.

Expliquei que teria que fazê-lo, mas para seu consolo, percorreria o trecho menos violento.

Passado o feriado temos o triste saldo de mortes nas estradas mineiras. Centenas de feridos que fizeram verter muitas lágrimas maternas foram vítimas de acidentes no nosso estado, deste número, tivemos 35 vítimas fatais, dez somente na Rodovia da Morte. Minha mãe sabia o que estava pedindo.

Infelizmente, entra ano e sai ano, trocam-se os nossos governantes e a BR 381 continua do mesmo jeito, matando inocentes sem piedade.

A pergunta que não se cala é até quando isto continuará. Quantas mães terão seus filhos tolhidos nas voltas desta rodovia? Quantos órfãos serão gerados graças às condições precárias da BR 381? Quantas pessoas terão que morrer para que aqueles que podem fazer algo, descruzem os braços e mudem esta triste história?

Em janeiro teremos a posse do eleitos pelo povo. Destes, muitos usaram a tragédia daquela rodovia como plataforma de campanha. O que de concreto será feito?

Uma peculiaridade dos novos governantes é o fato de que o nosso país terá a sua primeira presidenta. Será que o senso materno dela prevalecerá? Talvez se outras mães se juntarem a minha e juntos clamarem a presidenta eleita, ela, que é mãe e avó ouvirá o pedido das mães do Brasil.

Enquanto isto não acontece é preciso que os filhos ouçam suas mães e procurem evitar percorrer a BR 381. Caso isto não seja possível, ao menos, redobrem a atenção quanto tiverem ao volante. Outro pedido que os filhos que são motoristas devem acatar é a conscientização sobre o valor da vida. As estatísticas mostram que muitas das mortes acontecem justamente pela falha deles. Especialistas afirmam que a falta de atenção, desrespeito às placas de velocidades e consumo de bebidas alcoólicas ainda são as principais causas de acidentes. A minha, as nossas mães não merecem isto.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Viver ou juntar dinheiro

Por Max Gehringer

 

Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente.

Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais.

E assim por diante.

Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.

Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.

Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro.

Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?

Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

 Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida. Que tal um cafezinho?


sábado, 30 de outubro de 2010

A amizade

por José Almir Rosa
Tudo nesta vida é efêmer e passageiro, exceto as amizades ligadas pela alma. Nem a distância, nem as dificuldades, nem tampouco a morte consegue separar dois corações que se uniram pelo verdadeiro sentimento de amizade.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Hipocrisia religiosa e política


por: José Almir da Rosa

 

A candidata Dilma Roussef se comprometeu, por meio de um documento, a não aprovar leis que descriminalizem o aborto e legalizem a união homoafetiva. O intuito disto é um só: tentar encerrar as discussões eleitoreiras que a oposição levantou para combater o crescimento dela nas pesquisas.

Lamento profundamente que os brasileiros tenham caído neste jogo político e se restringido a uma discussão que nem é de competência direta do governo federal, mas sim dos nossos legisladores que foram eleitos sem sequer dizer o que pensam sobre tal assunto.

Independente daquele que será vitorioso nas urnas, era necessário que esse fosse estimulado a "avançar para águas mais profundas e lançar a rede" em torno do grandes problemas que afetam o nosso país.

Lamento também que aqueles que se dizem líderes religiosos tenham levantado tais bandeiras e esquecido de outras que ceifam milhares de vidas no Brasil, como é o caso das drogas, da desnutrição infantil, da falta de saneamento básico e mesmo atendimento à saúde. Qual resposta eles dariam a Jesus que disse "que veio para que todos tivessem vida, e vida plena"?

Será que os dois candidatos não deveriam assinar compromissos para combater ferrenhamente os diversos problemas do país e parar de ficar "dando a população pedra ao invés de pão"?

Pergunto aos líderes religiosos se a vida dos fetos vale mais do que a vida dos jovens que estão morrendo aos milhares por causa do vício e de suas consequências. O que será que é pior, morrer antes de nascer, ou morrer logo depois de nascido?

É dolorido ver uma mãe matar o filho no ventre. Será que a dor da mãe que vê o seu filho morrer por falta de assistência médica é menor?

Em meio a esta celeuma eleitoreira lembro-me de outro trecho bíblico que narra Jesus chicoteando os vendedores do templo. Tenho a impressão que se Ele aparecer por aqui muita gente vai apanhar.

Estamos perto das eleições e até agora ficamos sabendo muito pouco do plano de governo dos candidatos. Será que as discussões vão continuar micro na qual se utilizam dos velhos chavões para dizer um monte de palavras que não representam nada de concreto para a população?

Resta olhar para o céu e dizer "Pai perdoai porque eles não sabem o que fazem". Ou será que sabem?

 


 



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José Almir da Rosa - ouvidor e jornalista
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pense no que vai falar


por: João Nunes Maia

 Nunca fales sem primeiro observar o que vai sair da tua boca.
 
 A tua responsabilidade é muito grande pelo que falas aos outros.
 
 A força mental que se transforma em idéias é carregada de magnetismo
 emprestado pelos teus sentimentos.
 
 A tua mente é um campo de fusões eletromagnéticas, de onde partem todos os
 pensamentos que se consubstanciam em mensagens para os que te ouvem, levando
 
 a tua marca. Portanto, deves responder pela carga dos que recebem tuas
 palavras.
 
 Se a tua mente for educada, o retomo será de paz.
 
 Se não vigiares o que dizes e a indisciplina encontrar ambiente condizente
 com a desordem, a própria natureza devolverá o que deres aos teus
 companheiros, acentuando, de volta, as formas afins às tuas idéias.
 
 Nunca fales mal de alguém, mesmo que te encontres atingido pela maledicência
 
 alheia.
 
 Nunca penses ao contrário das leis do Amor, mesmo que o ambiente em que
 vives seja propício às conversações negativas.
 
 O papel do homem de bem é vigiar a si mesmo no que pensa, fala e faz, pois o
 
 maior beneficiado é quem se educa e quem disciplina a si mesmo.
 
 Tudo o que fizeres de bom, saído da nobreza da tua alma, estarás fazendo
 exclusivamente para ti. Tu serás o maior premiado.
 
 Quem cumpre o dever nada mais está fazendo do que o próprio dever.
 
 Nunca penses e nunca fales que és um portador de luzes para a humanidade.
 
 Cada um cuida da sua própria conduta.
 
 Se falares sobre o que fazes de bom, começas a corromper o Bem que intentas
 realizar.
 
 E quando anunciamos alguma coisa do grau de Caridade a que atingimos, a
 vaidade não deixa de aumentar as proporções que não foram atingidas.
 
 Distorcendo a verdade, caímos na depressão urdida pela mentira e a
 consciência nos cobra o que deixamos de fazer e que anunciamos aos outros
 sem ter feito.
 
 Colocamos uma lente no bem que tentamos fazer e fazemos questão de mostrar a
 
 quem passa, tentando colocar viseiras nos olhos dos nossos companheiros, no
 que se refere aos nossos atos indignos. Tudo isso são ilusões.
 Estamos enganando a nós mesmos, porque ninguém engana as Leis e nem Quem as
 fez.
 
 O orgulho e a vaidade estragam muitas vidas.
 
 O orgulhoso e o vaidoso não desconfiam que os outros estão observando e
 analisando o que falam a mais do que realmente são.
 
 Se és verdadeiramente um benfeitor da coletividade, pelos exemplos e pelas
 ações, não te apresses em divulgar isso, porque o próprio ar se encarrega de
 
 transmitir os teus valores, os próprios objetivos ao teu derredor denunciam
 e refletem as luzes que se desprendem do teu coração.
 
 A auto-valorização é falta de discernimento e escassez de educação. Tu és o
 que és e nada mais.
 
 Se intentas anunciar o que fazes, o que foi feito apresenta falsificações
 nas suas mais íntimas estruturas.
 
 Quem fala muito sobre o que fez tem o intuito de esconder os erros que
 sempre estão à vista dos observadores.
 
 O santo quase sempre nega seus feitos, mesmo os benefícios que atingiram a
 humanidade e, quando não tem outro jeito, responde que é um dever seu fazer
 o bem e, se isso é caridade, está fazendo por bem de si mesmo. Isso não
 ocorre
 com o ignorante, que sempre quer mostrar o que não é.
 
 Fala menos de ti mesmo e, quando não suportares ficar calado, fala das tuas
 próprias deficiências, mesmo que não tenhas coragem de falar de todas.
 Dize o que a tua coragem permitir e o teu coração suportar. Mas nunca fales
 sem pensar o que vais dizer.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

A vida é um banquete

por: Dra. Rosana Braga - Consultora

Não sei se por questões culturais, religiosas ou pessoais, ou talvez seja por todas elas juntas, mas o fato é que,

por mais estranho e paradoxal que pareça, a maioria das pessoas desperdiça o convite VIP que recebeu ao
nascer e, negligentemente, joga fora a oportunidade de aproveitar a grande festa chamada Vida!

A excêntrica tia Mame, do filme Auntie Mame (1958), repete uma assertiva que, desde a primeira vez que ouvi,

achei de uma medida perfeita e urgente. Embora possa parecer agressiva num primeiro momento, ela é, acima
de tudo, provocativa – um convite à reflexão e um apelo ao abandono de uma das maiores ilusões do ser

humano: a de que viver e amar tem a ver, fundamentalmente, com sofrer.

A frase é: "A vida é um banquete maravilhoso e a maioria dos idiotas continua morrendo de fome"!

Prefiro acreditar que você não se julgue – pelo menos não o tempo todo – um idiota. Mas certamente, em
algum momento, após ter feito algo que rendeu prejuízos, sobretudo a si mesmo, já se sentiu um completo e

patético idiota! Até aí, nenhum privilégio.

O problema é quem passa a vida toda se boicotando, afundando-se em reclamações e reforçando a crença
medíocre e lamentável do "se". "Se" tivesse isso ou aquilo, "se" fosse assim ou assado, "se" conseguisse, "se"

conquistasse, enfim, uma interminável lista de impedimentos à própria felicidade. Obstáculos que a pessoa
impõe a si mesma por se recusar a enxergar o banquete servido bem diante do seu nariz!

Sei que afirmar que a vida é aquilo que você acredita que ela seja, ou que o melhor está na simplicidade e
disponível para quem quiser é cair no lugar comum e, para alguns, beira o pedante, mas é absolutamente

surpreendente constatar o quanto essa verdade ainda não foi assimilada, por mais que já tenha sido repetida
incontáveis vezes.

Continuamos deixando a desejar quando se trata de sentar-se à mesa do tal banquete e se servir, se esbaldar,

se lambuzar! E assim, feito idiota, a maioria continua morrendo de fome! Muitos, inclusive, morrem sem nunca
terem se comportado como convidados realmente, como se o melhor da vida fosse reservado somente a alguns,

que não eles.

Assim, presos à idéia de que não podem, não devem ou não sabem como, vão aceitando migalhas, deixando o
melhor para quem – na opinião insegura deles – merece mais e, enfim, passam seus dias conformados com

uma vidinha mais ou menos, um relacionamento "meia boca", bem pouco de intensidade, quase nada de novos
sabores, e talvez nada da autêntica felicidade!

Pois muito bem! Se você está cansado de se sentir deixado de fora da grande festa, sugiro que comece a se
comportar, a partir de agora, como o convidado de honra que de fato você é! Mude sua postura, levante os
ombros, olhe adiante e se apodere total e completamente do seu direito de estar neste mundo!

Apodere-se também do seu merecimento de viver um amor que valha a pena, que agite suas células e faça seu
coração tremer. Se já tem um, invista nele como nunca fez antes. Aja como um apaixonado e transforme
pequenas ocasiões em cenas dignas de Hollywood. No seu trabalho, comporte-se como mestre e senhor de suas
funções e faça a diferença. Você não é apenas mais um. Você é um único, exemplar exclusivo na humanidade!

E acredite você ou não, as portas da festa da vida irão se abrir, os anfitriões irão te receber com pompas, os
garçons irão te servir à vontade e a música vai rolar o tempo todo. Cabe somente a você a decisão de ficar
apenas olhando ou, finalmente, fazer como manda muito bem a canção de "As Frenéticas": "Abra suas asas,
solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa!" até descobrir, com todos os poros de seu corpo, que
sorrir, amar, viver e ser feliz é muito mais uma questão de escolha individual do que de condições externas!


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José Almir da Rosa - ouvidor e jornalista
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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Rosa

por José Almir da Rosa

A rosa é a flor de maior simbolismo na cultura ocidental. A Rosa é uma flor consagrada a muitas deusas da mitologia. Símbolo de Afrodite e de Vênus. Para os romanos as rosas eram uma criação da Flora. A Rosa é, igualmente, consagrada a Isís que é retratada com uma coroa de rosas. O miolo da Rosa, fechado, fez com que a flor significasse em muitas culturas o símbolo do segredo. Na tradição Hindu, a deusa Lakshmi (deusa do amor), nasceu de uma Rosa. Simbolismo da beleza e da pureza, perfeição em todos os sentidos, na idade média a Rosa passou a ser símbolo da virgem Maria por significado de pureza. A rosa possui suas propriedades não só simbolicamente, mas é aproveitada na medicina, para perfumes, culinária, entre outros atributos. Na foto duas rosas, uma delas se chama Ana Julia.

sábado, 28 de agosto de 2010

E-mail


por José Almir da Rosa


Que bom se existisse um "mail" de a gente contatar as pessoas que amamos de maneira rápida e eficaz. Que não fosse burocrático e demorado como as vezes é a carta, que não custasse praticamente nada e ainda por cima pudesse ser utilizado 24 horas por dia. Com isto as pessoas não precisariam mais inventar desculpas para não estabelecer contatos. Certamente os amigos iam ter este meio para mandar notícias, os parentes iam expressar o seu carinho e a sua saudade, toda hora, o tempo todo, através dele. Todos que nos amam iam abusar deste mecanismo para obter e dar informações ou simplesmente aproveitar a tal facilidade para mandar, a cada momento, uma expressão de carinho. Claro, sempre personalizado, com muito calor humano e recheado de energia positiva. Nossa como seria bom se isto existisse...como seria.

domingo, 22 de agosto de 2010

O entregador




por: José Almir da Rosa

Domingo é dia de pedirmos comida pronta para assim termos mais tempo para não fazer nada. Assim eu fiz outro dia numa destas manhãs chuvosas e frias de outono. Liguei num famoso "delivery" da região por volta do meio dia e pedi um prato para dois. Uma hora depois, voltei a ligar reclamando da demora. Já nervoso, meia hora após a última ligação, voltei a contatar o restaurante e ouvi da atendente que o motoqueiro já estava a caminho.


Minha companhia de almoço, bastante impaciente e com hora marcada, deixou-me só. Já com os nervos a flor da pele, resolvi cancelar o pedido. A campanhia tocou. Depois de duas horas de atraso meu almoço tinha chegado. Desci as escadas disposto a falar um monte de abobrinhas para o entregador. Silenciei ao ver o estado lastimável em que ele se encontrava.



Moço - disse-me ele – não se assuste com a minha aparência. Sofri um acidente, mas a seu marmitex ficou intacto.



Sujo, com a jaqueta jeans rasgada e com alguns arranhões nos braços ele abriu o que restou do baú de entrega e foi me passando o marmitex. De fato ela estava inteira. Toda a minha raiva deu lugar ao sentimento de pena e a uma reflexão.



Vivemos numa sociedade no qual um jovem, ao esbarrar em outra pessoa, teve a sentença de morte instantânea. Duas horas de atraso bastou-me para condenar aquele entregador a levar o marmitex de volta, ouvir de mim um monte de desaforos e ainda ter que se entender com o patrão.



Toda hora enfrentamos situações como a que eu vivi e quase sempre agimos por impulso. Matamos muitas pessoas diariamente com atitudes e palavras. Não podemos ser contrariados que já queremos tirar satisfação. O que importa é eu estar bem. Errar é humano só para mim, para o outro é inconcebível.



Após pegar o marmitex e já com outros sentimentos no coração, pedi para o moço esperar um pouco. Fui até o meu guarda roupa e peguei uma velha jaqueta. Peguei também um anti-séptico para limpar as feridas. Já na porta perguntei ao motoqueiro se aquela jaqueta poderia minimizar o frio até o restaurante. Ele disse que sim e informou que depois me devolveria. Disse a ele que era um presente e orientei-o a limpar suas feridas. Agradeceu, sorriu e partiu.



Almocei pensando no caso do entregador; pensando que, na maioria das vezes, cultivar o amor ou ódio só depende de nós. Fiz ali um propósito para a vida: não agir movido pelo desamor.



Meu telefone tocou. Era o dono do restaurante me agradecendo pela paciência da espera e pelo presente que eu tinha dado ao seu filho. Não se trata da jaqueta, disse aquele senhor, venha até aqui um dia destes que lhe contarei toda a história. Só me avise antes para eu poder lhe esperar.



Acatei o convite e passei no domingo seguinte naquele restaurante. O proprietário me abraçou e contou-me que naquele dia que o seu entregador tinha faltado. Bastante irado com o faltante, tinha pedido ao seu filho para fazer a primeira entrega do dia. Esse, mesmo contrariado, acatou o pedido do pai. O excesso de velocidade causou o acidente que quase lhe custou à vida.



Meu filho e eu – falou o proprietário do restaurante – aprendemos uma grande lição. É possível romper a corrente da raiva. Sua postura diante do atraso, seus cuidados com ele e até mesmo o presente que lhe deu, ajudou a romper um processo negativo que quase custou a vida do meu único filho. Hoje o almoço é por nossa conta.



Em silêncio dirigi-me a uma mesa sabendo que aqueles fatos também tinham sido uma escola para mim.



Uma hora depois levantei e gritei para o garçom que o meu almoço estava atrasado. Antes que o proprietário chegasse até a minha mesa, comecei a sorrir e a contar para todos como é possível construir a corrente do amor.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Solidão

por  Francisco  Buarque  de Holanda

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade. 
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio. 
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida. .. Isto é um princípio da natureza. 
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância. 
Solidão é muito mais do que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....  
       

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

PEDIDO DE DEMISSÃO



por Conceição Trucom
 
Venho por meio deste, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos.
Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de oito anos no máximo.

Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possível.
Quero que as complexidades da vida passem desapercebidas por mim e quero ficar encantada com as  pequenas maravilhas deste mundo.

Quero de volta uma vida simples e sem complicações.
Cansei dos dias cheios de computadores que falham, montanha de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe.

Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigada a dizer adeus ás pessoas queridas e, com elas, à uma parte da minha vida.

Quero ter a certeza de que Deus está no céu e de que, por isso, tudo está direitinho nesse mundo.
Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel, que vou navegar numa poça deixada pela chuva.
Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.

Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro caju, a primeira manga ou quando a jabuticabeira  ficar pretinha de frutas.
Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar  e dividindo-os com meus amigos.
Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida.

Quero que as maiores competições  em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de gude ou uma pelada.
Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a "Batatinha quando nasce..." e a "Ave Maria"  e que isso não me incomodava nadinha,  porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia.

Quero voltar ao tempo em que se é feliz,  simplesmente porque se vive  na bendita ignorância da existência de coisas  que podem nos preocupar ou aborrecer.
Quero acreditar no poder dos sorrisos,  dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade,  da justiça, da paz, dos sonhos,  da imaginação, dos castelos no ar e na areia.
Quero estar convencida de que tudo isso...  vale muito mais do que o dinheiro!

A partir de hoje, isso é com vocês,  porque eu estou me demitindo da vida de adulto.

Demita-se você também dessa sua vida chata de adulto, mandando esta mensagem para todos os seus amigos, principalmente os mais sérios e preocupados.
NÃO TENHA MEDO DE SER FELIZ!!!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O recado de Deus


por José Almir da Rosa




Certa manhã de domingo comecei a me questionar sobre a presença de Deus em minha vida. Será que o Criador do Universo realmente existia ou se tratava de mais um conto de fadas passado de geração em geração?


Pois bem, com tais indagações resolvi procurar um teólogo para fazer alguns questionamentos a ele sobre a existência de Deus.


Lugar ideal para encontrar tais pessoas são as igrejas, chamadas casas de Deus. Como não morava tão longe de uma catedral, decidi que era para lá que eu ia buscar o teólogo e quiçá me encontrar com Deus.


Era uma manhã de primavera, o sol já brilhava e, antes de sair, fui colocar comida para os pássaros num prato que tinha no jardim da casa em que eu morava. Como estava com pressa, sem querer, esbarrei num pé de rosa e esta, que tinha apenas uma flor aberta, acabou me molhando com o sereno da madrugada. Não dei atenção e fui até o local dos pássaros. Um sabiá, no pé da pequena laranjeira, cantava sem parar. Ignorei. Fui para a estação de metrô.


Duas crianças brincavam nas escadas rolantes. Quase esbarrei numa delas e fiquei meio encabulado com a situação. Já dentro do metrô, cheio de inquietação, observei que uma senhora de cabelo branquinho, me observava. Aquilo me incomodou. Ela, ao perceber o meu incômodo, deu um belo sorriso e sutilmente virou o rosto. Ela desceu na estação seguinte e já fora do metrô voltou a sorrir. Desapareceu no meio das centenas de pessoas que estavam naquela estação.


Já no meu destino fui me informar com um vendedor de pipocas sobre o endereço correto da catedral. Ele pediu para que eu aguardasse porque o milho estava começando a estourar. Também com um sorriso, me deu algumas pipocas quentes. Agradeci, mas, como estava impaciente, decidi arriscar e seguir um dos caminhos em direção à casa de Deus. Logo numa esquina me deparei com a imponência da catedral que deveria estar a poucas quadras dali.


Minha atenção foi desviada quando percebi que uma mulher com uma criança no colo me pediu esmola. Ia dizer não, mas o olhar da criança foi mais forte. Tirei algumas moedas e entreguei para aquela mãe.


Cheguei ao templo e um cartaz fixado na porta me deixou muito nervoso. Em reformas.


Mil pensamentos passaram pela minha cabeça. Predominou a raiva e a inquietação. Novamente tive a minha atenção desviada com um som que vinha da praça que ficava nas imediações da catedral. Era um saxofone.


Gostei do que ouvia, mas resolvi ir para outra igreja. Precisava ter minha resposta, queria me encontrar com Deus ou pelo menos com um de seus representantes.


Agora de ônibus segui para o outro endereço da casa de Deus. Meus pensamentos foram interrompidos quando uma jovem grávida sentou ao meu lado. Virei o rosto e voltei a pensar em Deus.


Já na igreja me deparei com um padre. Fiquei feliz. Talvez ele me ajudasse a encontrar com Deus. Não, meu filho. Hoje eu não tenho tempo.


Saí da igreja mais triste ainda com a negativa do representante de Deus. Sentei num banco e fiquei a olhar as crianças que brincavam ao redor.


Um catador de latinhas, maltrapilho, sentou ao meu lado. Rompeu o silêncio perguntando se eu tinha conseguido falar com Ele. Para evitar prolongar a conversa, falei que não. Novamente aquele senhor, que tinha um cheiro forte impregnado no seu corpo, fez a mesma pergunta. Respondi que não.


Subitamente ele me pegou pela mão e contra a minha vontade disse que me mostraria onde Ele estava. Morrendo de vergonha, me deixei guiar.


Atrás da igreja tinha uma fonte cercada por roseiras. Achei que estava fazendo papel de idiota. O homem me levou até uma rosa bem vermelha, igual àquela que estava no meu jardim e me disse: Ele mora aí dentro e em todos os lugares. Eu me encontro com Ele aqui e você?


Fiquei em silêncio por alguns instantes e quando virei para responder ao catador de latinhas já o vi longe. Entendi o recado da vida, entendi o recado de Deus.

domingo, 8 de agosto de 2010

Não importa onde você parou

Carlos Drumond de Andrade

Não importa onde você parou
em que momento da vida você cansou...
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
é renovar as esperanças na vida e o mais
importante...
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado...
Chorou muito?
Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o inicio da tua melhora...
pois é... agora é hora de reiniciar...
de pensar na luz...
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado...
diferente?
Um novo curso...
ou aquele velho desejo de aprender a
pintar... desenhar... dominar o computador...
ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...
quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.
Tá se sentindo sozinho?
Besteiras...
tem tanta gente que você afastou com o
seu "período de isolamento"...
tem tanta gente esperando um sorriso teu
para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...
nem nós mesmos nos suportamos...
ficamos horríveis...
o mau humor vai comendo nosso figado...
até a boca fica amarga.
Recomeçar...
hoje é um bom dia para começar novos desafios.
onde você quer chegar?
Ir alto... sonhe alto...
queira o melhor do melhor...
queira coisas boas para a vida...
pensando assim trazemos pra nós aquilo que
desejamos...
se pensamos pequeno...
coisas pequenas teremos...
já se desejarmos fortemente o melhor e
principalmente
lutarmos pelo melhor...
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental...
joga fora tudo que te prende ao passado...
ao mundinho de coisas tristes....
fotos... peças de roupa, papel de bala...
ingressos de cinema, bilhetes de viagens...
e toda aquela tranqueira
que guardamos quando nos
julgamos apaixonados...
jogue tudo fora...
mas principalmente...
esvazie seu coração...
fique pronto para a vida...
para um novo amor...
Lembre-se somos apaixonáveis...
somos sempre capazes de amar muitas vezes e
muitas vezes...
afinal de contas...
Nós somos o "AMOR"...

Quebrador de pedras


Autor Desconhecido
 
Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida.
Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras que freqüentavam a mansão.
Quão poderoso é este mercador!- pensou o quebrador de pedras.
Ele ficou muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante. Para sua grande surpresa ele repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que ele jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele.
Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe.
Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem. Quão poderoso é este oficial!-- ele pensou.
Gostaria de poder ser um alto oficial! Então ele tornou-se o alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta.
Era um dia de verão quente, e o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol.
Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente pela sua reles presença abaixo. -- Quão poderoso é o Sol! - ele pensou. - Gostaria de ser o Sol! Então ele tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando seus raios para a terra sobre tudo e todos, crestando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores.
Mas um dia uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a terra, e seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele. Quão poderosa é a nuvem de tempestade! ele pensou - Gostaria de ser uma nuvem! Então ele tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos.
Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal, e soube que era o vento que fazia isso. Quão poderoso é o Vento! - ele pensou. Gostaria de ser o vento!
Então ele tornou-se o vento de furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, temido e odiado por todas as criaturas na terra. Mas em determinado momento ele encontrou algo que ele não foi capaz de mover nem um milímetro, não importasse o quanto ele soprasse em sua volta, lançando-lhe rajadas de ar.
Ele viu que o objeto era uma grande e alta rocha. Quão poderosa é a rocha! - ele pensou. Gostaria de ser uma rocha! Então ele tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, inamovível.
Mas enquanto ele estava lá, orgulhoso pela sua força, ele ouviu o som de um martelo batendo em um cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu a si mesmo sendo despedaçado. O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha?!? - pensou surpreso. Ele olhou para baixo de si e viu a figura de um quebrador de pedras.

Solte a panela


(caso saiba o autor, avise-me para creditar o texto)

"Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento.
A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores.
Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida.
Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.
Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo.
Na verdade, era o calor da tina...
Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava.
O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.
Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo.
Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu Corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida.
O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu Imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.
Quando terminei de ouvir esta história de um mestre, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes.
Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes.
Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero.
Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.
Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir.
Tenha a coragem e a visão que o urso não teve.
Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder.
Solte a panela! "

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Rato e a Ratoeira


Fábula

Numa fazenda um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu para a esplanada da fazenda advertindo a todos:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !
A galinha disse:
- Desculpe-me Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi até o porco e disse:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !
- Desculpe-me Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o senhor  será lembrado nas minhas orações.
O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse: o que ? Uma ratoeira ? Por acaso estou em perigo? Acho que não !
Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.
A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pegado. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pegado a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher. O fazendeiro chamou imediatamente o médico, que avaliou a situação da esposa e disse: sua mulher está com muita febre e corre perigo.
Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro  foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo.
Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Moral:
Quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pare de fumar



por José Almir da Rosa


Nas minhas últimas férias visitei uma tia que tem 57 anos, cinco filhos, quatro netinhos e um grave problema de saúde: efisema pulmonar.


Certamente a maioria das pessoas já ouviu falar desta doença mas poucos já conviveram com alguém que está com este mal que é causado, principalmente, pelo cigarro.


Se os dias que fiquei de férias foram muito agradáveis, os minutos que fiquei ao lado da cama desta infeliz avó me chocaram muito. É muito difícil transcrever tal sentimento e os momentos de terror que minha tia está vivendo, mas, como não posso levar você até lá, resgato alguns fatos e com isto, mais uma vez apelo aos fumantes: parem de fumar.


Cheguei ao quarto de minha tia exatamente no momento em que meu tio iniciava a troca do botijão de oxigênio. No momento em que a mangueira do ar foi desconectada para troca, minha tia começou a suar como se tivesse numa sauna. Com as mãos ela nos pedia ar. O desespero tomou conta de todos nós que assistíamos aquela cena sem nada poder fazer.


Após pouco mais de um minuto o processo foi concluído, e, ao contrário do que se possa pensar, minha tinha continuou o seu sofrimento porque mesmo com toda aquela parafernália ligada a ela, o ar que ela recebe já não está sendo mais suficiente. Mais alguns minutos e daí peguei na mão daquela mulher que hoje deve estar pesando uns 40 quilos. Pedi sua benção. Ela tentou mas, não conseguiu responder que Deus me abençoasse. Não me contive e lágrimas brotaram.


Que Deus abençoe minha tia e dê a ela forças para suportar este martírio que segundos os médicos é irreversível. Luz do céu e sabedoria também a todos que fumam e que são fortes candidatos a vivenciarem esta tragédia humana. Que cada um que agora lê este relato possa levantar a bandeira do antitabagismo e desta forma ajudar a salvar muitas vidas não só da morte mas deste sofrimento avassalador do corpo e da alma de todos nós.


O laço e o abraço

por Mário Quintana

 Meu Deus! Como é engraçado!

 Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... 
 Uma fita dando voltas.

 Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.

 É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.

 É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em 
 qualquer coisa onde o faço.

 E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...

 Devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.

 Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.

 E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.

 Ah! Então, é assim o amor, a amizade.

 Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.

 Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
 deixando livre as duas bandas do laço.
 Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.

 E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.

 E saem as duas partes, iguais meus pedaços de fita, sem perder nenhum 
 pedaço.

 Então o amor e a amizade são isso...

 Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.

 Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!!!

terça-feira, 27 de julho de 2010

A lata de água suja


por José Almir da Rosa


Quando ainda morava no interior atuei como recenseador do IBGE. Um aspecto do trabalho que me encantava, era a receptividade das pessoas. Além dos dados coletados pelo censo, também ouvi muitas histórias e uma que sempre me recordo é a da lata de água suja.

Tudo aconteceu quando eu cheguei à casa de uma senhora idosa que cuidava de várias crianças, a fim de que os pais pudessem trabalhar. Ela e as crianças estavam ao redor de uma tábua de lavar roupa, próxima de uma mina de água no fundo do quintal. Enquanto exercia o seu ofício de lavadeira, conversávamos e as crianças brincavam com terra e água formando esculturas de bolos, doces e tudo mais que é compatível com a criatividade de uma criança.


No meio da conversa a senhora me perguntou, subitamente, se eu acreditava em Deus. Sem pestanejar disse que sim. Ela me respondeu que tinha dúvidas se Deus existia, pois não sentia a sua presença, sobretudo porque o filho mais novo, que deveria ter seus 20 anos, estava envolvido com más companhias e desempregado e, por isto, ela já tinha pedido muito a Deus para que fizesse um milagre na vida dele, mas até agora nada havia mudado e ela temia o pior.


Fiquei meio sem saber o que responder para a lavadeira e, olhando as crianças brincarem, surgiu-me uma luz. Tomei emprestada uma latinha que era usada por uma delas para colher água na mina e, do jeito que estava, trouxe até perto da bica que caía sobre a tábua de lavar. Na lata continha água misturada com terra. Mostrei como estava a água, pedi licença à senhora e coloquei o recipiente de água suja embaixo da bica de água limpa. Sem entender direito, a lavadeira continuou a me contar o caso e, de recenseador, acabei me tornando ouvinte.


O tempo passou, a história acabou e a senhora, de tempo em tempo, espiava a lata d´água. Como nosso diálogo cessou, ouvíamos ao fundo o som das crianças e com destaque o barulho da água. Ela, querendo entender, perguntou-me o que eu esperava com aquilo. Peguei a lata na mão e, lentamente fui despejando a água que lá continha. Pedi para que ela observasse que apesar de não termos jogado fora à água suja, a bica, no seu tempo, se encarregou de realizar tal tarefa. A pergunta dela veio em seguida. E daí?


Deus atua assim em nossas vidas: em silêncio, lentamente, sem agredir, na maioria das vezes usando as pessoas que acabam sendo o encanamento por onde passa a água limpa. A velha senhora entendeu a mensagem e com uma lágrima no rosto me agradeceu.


Depois de muito tempo encontrei tal senhora na rua. Sem parcimônia ela foi logo dizendo que o jovem do seu lado era a lata de água suja e que a bica de água já estava fazendo efeito. Moço, disse ela, foi a melhor imagem de Deus que me foi apresentada até hoje. Sorri, segui meu caminho e ela o dela.

sábado, 24 de julho de 2010

Por favor, não roubem seus colaboradores



por João Alfredo Biscaia

Muito provavelmente, os leitores deste artigo devem considerar o título extremamente agressivo, inclusive deselegante.

Proponho que tenhamos muita calma e atenção sobre esse assunto, pois para mim, realmente, existem muitos 'ladrões'
nas organizações, não do dinheiro das empresas, mas sim das pessoas que com eles trabalham.

A argumentação que tenho sobre essa afirmativa foi baseada no livro O caçador de pipas, de Khaled Hosseini, que tive
o enorme prazer de ler e reler. Permito-me dizer que o livro me foi emprestado pela minha ex-sogra, acompanhado do
seguinte bilhete: 'Este livro é bom demais para ficar na prateleira'.

Principalmente em razão do bilhete, me encorajei em não deixar 'engavetado na prateleira da minha cabeça' as conexões que consegui fazer durante a leitura deste livro com a realidade das organizações e nas atitudes, posturas e comportamentos de muitas pessoas que se auto-intitulam de líderes de pessoas, apenas em função do cargo que exercem.

De todos os prazeres e sensações agradáveis e muitas vezes tristes, que a leitura deste livro me proporcionou, a mais marcante e significativa para mim foi a seguinte:

Em conversa com seu filho Amir, Baba afirma que existe apenas um pecado no mundo: o do roubo.

Ele justifica essa afirmação, dizendo:


  • Quando você deixa de dizer para alguém alguma coisa que você acredita ser 'verdade', você está 'roubando' o direito dele saber o que você sente a seu respeito.
  • Quando você mata alguém, você está 'roubando' o direito de outras pessoas conviverem com a pessoa que você matou.
  • Quando você 'maltrata' alguém, você está 'roubando' o direito dessa pessoa de ser feliz.
  • Quando você mente para alguém, você está 'roubando' o direito dela conhecer a verdade.

Como decorrência dessas assertivas, imediatamente surgiram em minha mente os inúmeros 'roubos' praticados nas organizações.

Relaciono alguns deles para que os leitores possam examinar se, em sua organização, eles são praticados.


  • Quando você chega atrasado em uma reunião, você está 'roubando' o tempo das pessoas que chegaram na hora marcada.
  • Quando você quer, ou impõem, que seus 'colaboradores' (não podemos mais falar subordinados, é um termo ofensivo, dizem alguns), fiquem trabalhando rotineiramente após as 8 horas diárias, você está 'roubando' o direito ao lazer, ao estudo, além do prazer que todos nós temos em desfrutar da companhia da esposa, filhos e dos amigos do coração.
  • Quando você pede urgência na execução de determinada tarefa, e depois não dá a menor importância, você está 'roubando' o seu colaborador.
  • Quando você pensa que alguns de seus subordinados não estão correspondendo às suas expectativas, e nada diz, você está 'roubando' a vida profissional deles.
  • Quando você fala a respeito das pessoas e não com as pessoas, você está 'roubando' a oportunidade deles saberem a opinião que você tem a respeito deles.
  • Quando você não reconhece os aspectos positivos que todas as pessoas têm, você está 'roubando' a alegria e a satisfação que todos nós precisamos por nos sentir valorizados e úteis. Além de 'roubar', você está sendo o principal gerador de um ambiente de trabalho desmotivador e desinteressante.


Tenho hoje a convicção - não a verdade - de que realmente só existe um único pecado que qualquer profissional pode cometer no exercício de cargos de liderança:

NÃO DIZER, DE FORMA EXPLICITA, CLARA E DESCRITIVA, COMO PERCEBE E SENTE OS DESEMPENHOS E OS COMPORTAMENTOS DAS PESSOAS COM QUEM TRABALHA.

Todos nós temos um discurso fácil ao afirmar que é imprescindível haver respeito e consideração com todas as pessoas com quem convivemos, quer no plano pessoal ou profissional. Pensar e falar são coisas extremamente fáceis.

O grande desafio está no agir, no fazer, no praticar aquilo que se diz ou pensa como sendo o certo, o correto nas relações entre as pessoas. Não valemos pelo que pensamos, mas sim pelo que realmente fazemos.

Tenho constatado, como base no mundo real, que a maioria das pessoas deixa de se manifestar sobre como percebe e sente o comportamento das pessoas com quem convivem. A racionalização por não dizer nada é baseada no argumento de que, 'afinal, ninguém é perfeito' e vai acumulando insatisfações, com reflexos inevitáveis nas relações.


Acrescento que o pior tipo de relacionamento que podemos praticar com as pessoas com quem trabalhamos e vivemos é o do silêncio. O silêncio fala por si só. Diz muita coisa, e gera uma relação de paranóia, muita ansiedade e enorme frustração. Dizem que as pessoas admitem boas ou más notícias, detestam surpresas.

Tomo a liberdade de recorrer a um artigo escrito por Eugenio Mussak, na revista Vida Simples, do mês de julho deste ano. Ele é enfático ao afirmar que feedback é um a questão de respeito e consideração para a outra pessoa.

Chego à conclusão de que só damos feedback para as pessoas que respeitamos e gostamos.

Dar e receber feedback são questões básicas e essenciais para a existência de uma relação saudável, duradoura e, principalmente, respeitosa.

Considero oportuno lembrar, também, que todas as coisas que prestamos atenção tendem a crescer. Se olharmos, tão somente os aspectos negativos de alguém, esses tendem a crescer aos nossos olhos.

O inverso também parece ser fatal. Se dirigirmos nossas observações a respeito das questões positivas que todos nós temos, existe a grande possibilidade delas também crescerem.

Em síntese: sugiro
a você que façamos um exame de consciência profundo nas diversas relações que mantemos. Se pergunte com bastante freqüência: Será que eu estou 'roubando' de alguém algumas informações ou percepções que podem lhes ser úteis para o seu crescimento pessoal e profissional?






O leão e o rato


Fábula de Esopo

Um Leão foi acordado por um Rato que passou correndo sobre seu rosto. Com um salto ágil ele o capturou e estava pronto para matá-lo, quando o Rato suplicou:

- Se o senhor poupasse minha vida, tenho certeza que poderia um dia retribuir sua bondade.

O Leão deu uma gargalhada de desprezo e o soltou.

Aconteceu que pouco depois disso o Leão foi capturado por caçadores que o amarraram com fortes cordas no chão.

O Rato, reconhecendo seu rugido, se aproximou, roeu as cordas e libertou-o dizendo:

- O senhor achou ridículo a idéia de que eu jamais seria capaz de ajudá-lo. Nunca esperava receber de mim qualquer compensação pelo seu favor. Mas agora sabe que é possivel mesmo a um Rato conceber um favor a um poderoso Leão.

Moral da História:
Os pequenos amigos podem se revelar grandes aliados.



O papa - para rir

O Papa chegou ao Brasil em missão não oficial e trouxe um
motorista negro.
 
Ele tinha um compromisso e estava atrasado e o negro não
passava de 80 km/h e toda hora o Papa falava pro negro andar
mais rápido e nada... ele continuava nos 80 km/h; ai o Papa
disse:
 
- Deixe que eu mesmo irei dirigir, e foi; o negro ficou no
banco de trás e o próprio Papa foi dirigindo a 140 km/h,
quando um guarda rodoviário mandou o Papa parar e, quando
viu quem era, resolveu passar um rádio pro chefe dizendo:
 
- Chefe, peguei um cara importante voando na Dutra.
 
- Quem é... um deputado? Perguntou o chefe.
 
- Nao chefe, é mais importante
 
- É um senador?
 
- Nao chefe, é mais importante ainda.
 
- Então é um governador de estado.
 
- Que nada chefe, é mais importante ainda
 
- Então só pode ser o próprio presidente
 
- É mais importante que o próprio presidente
 
- PUXA, nesse caso então só pode ser o Papa.
 
- Que nada chefe. O Papa é o motorista dele.
 
É o próprio São Benedito............ em pessoa...

 

Se você me ama não chore por mim


por Vinícius de Moraes

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ' Foi meu amigo, meu amado, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outras pessoas farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade e  o amor que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade e amor só fazem sentido se trazem o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque... Ser seu amigo seu amado já foi um pedaço dele !

quarta-feira, 21 de julho de 2010

As coisas nem sempre são o que parecem

(sabendo o autor, avise-me para creditar)
 
Dois Anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família muito rica.
A família era rude e não permitiu que os Anjos ficassem no quarto de hóspedes da mansão.
Em vez disso, deram aos Anjos um espaço pequeno no frio sótão da casa.
À medida que eles faziam a cama no duro piso, o Anjo mais velho viu um buraco na parede e o tapou. Quando o Anjo mais jovem perguntou: por que?

O Anjo mais velho respondeu:
"As coisas nem sempre são o que parecem".

Na noite seguinte, os dois anjos foram descansar na casa de um casal muito pobre, mas o senhor e sua esposa eram muito hospitaleiros.
Depois de compartilhar a pouca comida que a família pobre tinha, o casal permitiu que os Anjos dormissem na sua cama onde eles poderiam ter uma boa noite de descanso.

Quando amanheceu, ao dia seguinte, os anjos encontraram o casal banhado em lágrimas.
A única vaca que eles tinham, cujo leite havia sido a única entrada de dinheiro, jazia morta no campo.
O Anjo mais jovem estava furioso e perguntou ao mais velho:
"Como você permitiu que isto acontecesse?".

O primeiro homem tinha de tudo e, no entanto, você o ajudou.
"O Anjo mais jovem o acusava".
"A segunda família tinha pouco, mas estava disposta a compartilhar tudo, e você permitiu que a vaca morresse".

"As coisas nem sempre são o que parecem", respondeu o anjo mais velho.
"Quando estávamos no sótão daquela imensa mansão, notei que havia ouro naquele buraco da parede".
"Como o proprietário estava obcecado com a avareza e não estava disposto a compartilhar sua boa sorte, fechei o buraco de maneira que ele nunca mais o encontraria".

"Depois, ontem à noite, quando dormíamos na casa da família pobre, o anjo da morte veio em busca da mulher do agricultor".
E eu lhe dei a vaca em seu lugar.
As coisas nem sempre são como parecem".

terça-feira, 20 de julho de 2010

Os sonhos e seus significados


por José Almir da Rosa


Já li muito a respeito do significado dos sonhos. Infelizmente, a vasta literatura sobre o assunto às vezes nos oferece elementos que acabam por afastar sobre o verdadeiro papel que tal questão comporta em nossa vida.

Quando criança ouvia sempre um vizinho comentar que sonhou com tal coisa naquela noite e ia jogar no bicho. Lamentável que a postura de meu vizinho ainda é a de muitas pessoas nos dias atuais.


A maioria da população não liga para o que sonha e, quando o fazem, interpreta literalmente tal situação e isto acaba gerando inúmeros equívocos para o sonhador e para as pessoas que fazem parte do enredo sonhado.


Mesmo dentro do campo da psicologia, no qual o sonho poderia ser uma ótima ferramenta de trabalho, poucos são os profissionais que a utiliza. Acredito que se trata de uma questão cultural muito pouco cultivada no ocidente.


Independentemente disto ou daquilo, gostaria de partilhar com o leitor um pouco daquilo que estudei sobre o assunto. Primeiro é bom que se saiba que sonho é algo muito pessoal. Qualquer interpretação global pode incidir em erros, uma vez que não basta pegar as imagens contidas num sonho e sair buscando nos dicionários o seu significado. Não quero com isto afirmar que tais obras não servem para nada, muito pelo contrário, há no mercado ótimos estudos psicológicos a cerca dos sonhos. Quase sempre tais livros oferecem elementos que ajudarão o interessado a desmistificar a novela que viveu no seu sonho.


Mas não basta uma boa referência bibliográfica para que se possa interpretar um sonho. Muitos outros elementos devem se fazer presentes neste processo. Acredito que o principal deles é o contexto do sonhador. Só para exemplificar, é muito diferente a imagem no sonho de um cachorro para um adestrador de cães e para alguém que seja alérgica a pelos de animais. A imagem é a mesma, o contexto é outro.


Recomendo que os interessados em interpretar seus sonhos comecem por resgatá-los diariamente. Uma fórmula simples é fazer um caderno de anotações dos sonhos. O passo seguinte é ler e reler o que escreveu e com isto exercitar o consciente e o inconsciente sobre o assunto. Automaticamente as imagens vão sendo trabalhadas no seu interior e, da mesma forma, muitos dos problemas apresentados pelo sonho vão se resolvendo automaticamente.


Um erro que se deve evitar é a interpretação literal. Sonhar com a morte de alguém não significa que isto vai acontecer. O sonho, como salientei acima, é muito pessoal e o outro, aquele que morreu no sonho, na maioria das vezes é só uma imagem que o seu inconsciente escolheu para lhechamar a atenção de alguma coisa.


Antes que imagine que tudo é muito complicado esclareço que tudo é muito simples. Há culturas que desde criança utilizam os sonhos para decidir sobre as diversas atividades do dia-a-dia.


Após começar o processo de resgate dos sonhos perceberá que se trata de um amigo interior que aparece na sua vida sempre que precisa de um conselho. Diria que os nossos sonhos são um presente da nossa alma para nós mesmos. Se assim são, é muito positivo recebê-los. Utilize-os da melhor maneira possível. Aproveite seus sonhos e seja feliz.



sábado, 17 de julho de 2010

Atire a Primeira Flor

por Rosemary Sadalla

Quando tudo for pedra... atire a primeira flor.
Quando tudo parecer caminhar errado,
seja você a tentar o primeiro passo certo.
Se tudo parecer escuro, se nada puder ser visto,
acenda você a primeira luz.
Traga para a treva você primeiro a pequena lâmpada.
Quando todos estiverem chorando, tente você o primeiro sorriso.
Talvez não na forma de lábios sorridentes,
mas na de um coração que compreenda, de braços que confortem.
Se a vida inteira for um imenso não,
não pare você na busca do primeiro sim,
ao qual tudo de positivo deverá seguir-se.
Quando ninguém souber coisa alguma e você souber um pouquinho,
seja o primeiro a ensinar. Começando por aprender você mesmo,
corrigindo-se a si mesmo.
Quando alguém estiver angustiado, a procura nem sabendo o que,
consulte bem o que se passa.
Talvez seja em busca de você mesmo que este seu irmão esteja.
Daí, portanto, você deve ser o primeiro a aparecer,
o primeiro a mostrar que pode ser o único
e mais sério ainda talvez o último.
Quando a terra estiver seca que sua mão seja a primeira a regá-la.
Quando a flor se sufocar na urze e no espinho,
que sua mão seja a primeira a separar o joio, a arrancar a praga,
a afagar a pétala, a acariciar a flor.
Se a porta estiver fechada de você venha a primeira chave.
Se o vento sopra frio, que o calor de sua lareira
seja a primeira proteção e primeiro abrigo.
Se o pão for apenas massa e não estiver cozido,
seja você o primeiro forno para transformá-lo em alimento.
Não atire a primeira pedra em quem erra.
De acusadores o mundo esta cheio.
Nem por outro lado, aplauda o erro,
dentro em pouco a ovação será ensurdecedora.
Ofereça sua mão primeiro para levantar quem caiu.
Sua atenção primeiro para aquele que foi esquecido,
seja você o primeiro para aquele que não tem ninguém.
Quando tudo for espinho atire a primeira flor,
seja o primeiro a mostrar que há caminho de volta.
Compreendendo que o perdão regenera, que a compreensão edifica,
que o auxilio possibilita, que o entendimento reconstrói.
Atire você, quando tudo for pedra, a primeira e decisiva flor...

A perfeição de Deus

(Sabendo o autor, avise-me para creditá-la)

Um rei que não acreditava na bondade de DEUS. Tinha um servo que em todas as situações lhe dizia: Meu rei, não desanime porque tudo que Deus faz é perfeito!
Um dia eles saíram para caçar e uma fera atacou o rei. O seu servo conseguiu matar o animal, mas não pôde evitar que sua majestade perdesse um dedo da mão.
Furioso e sem mostrar gratidão por ter sido salvo, o nobre disse: Deus é bom? Se Ele fosse bom eu não teria sido atacado e perdido o meu dedo.
O servo apenas respondeu: Meu Rei, apesar de todas essas coisas, só posso dizer-lhe que Deus é bom; e ele sabe o porquê de todas as coisas.
O que Deus faz é perfeito. Ele nunca erra! Indignado com a resposta, o rei mandou prender o seu servo. Tempos depois, saiu para uma outra caçada e foi capturado por selvagens que faziam sacrifícios humanos.
Já no altar, prontos para sacrificar o nobre, os selvagens perceberam que a vítima não tinha um dos dedos e soltaram-no: ele não era perfeito para ser oferecido aos deuses.
Ao voltar para o palácio, mandou soltar o seu servo e recebeu-o muito afetuosamente. Meu caro, Deus foi realmente bom comigo! Escapei de ser sacrificado pelos selvagens, justamente por não ter um dedo! Mas tenho uma dúvida: Se Deus é tão bom, por que permitiu que você, que tanto o defende, fosse preso?
Meu rei, se eu tivesse ido com o senhor nessa caçada, teria sido sacrificado em seu lugar, pois não me falta dedo algum. Por isso, lembre-se: tudo o que Deus faz é perfeito.

Peça para Deus inspirar os seus pensamentos, guiar os seus atos, apaziguar os seus sentimentos. E nada tema, pois DEUS NUNCA ERRA!

Sapateado

Lápide

Dizem que esta frase está num túmulo na Cidade de Pirassununga/SP. É uma reflexão sobre a vida.

Lápide: "Eis o fim de um espermatozóide que, há mais de 80 anos, penetrou num óvulo, iniciou seu ciclo evolutivo e acabou virando carniça."

(Sabendo o autor, avise-me para creditá-la.)

As escolhas de uma vida

(se souber o autor, avise-me para creditar)

A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões". Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu.

Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso. Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. Se é a psicologia que se almeja, pouco tempo sobrará para fazer o curso de odontologia. Não se pode ter tudo.

No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades. As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços. Escolha.

Morar em Londres ou numa chácara? Ter filhos ou não? Posar nua ou ralar atrás de um balcão? Correr de kart ou entrar para um convento? Fumar e beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado, viver de poesia e dormir em hotel 5 estrelas. No way.

Por isso é tão importante o auto-conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: ninguém é o mesmo para sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto. Quanto menos a gente errar, melhor.

A força da palavra

por Dr. Jairo Mancilha

A linguagem dirige nossos pensamentos para direções específicas e, de alguma forma, ela nos ajuda a criar a nossa realidade, potencializando ou limitando as nossas possibilidades. A habilidade de usar a linguagem com precisão é essencial para uma boa comunicação.

1) CUIDADO COM A PALAVRA NÃO. A Frase que contém NÃO, para ser compreendida, traz à mente o que está junto com ela. O NÃO existe apenas na linguagem e não na experiência. Por exemplo: pense em "NÃO"... Não vem nada à mente. Agora, vou lhe pedir não pense na cor vermelha... Eu pedi para você NÃO pensar na cor vermelha e você pensou. Procure falar no positivo, o que você quer e não o que você não quer.

2) CUIDADO COM A PALAVRA MAS, QUE NEGA TUDO QUE VEM ANTES. Por exemplo: "O Pedro é um rapaz inteligente, esforçado, MAS...". Substitua o MAS por E, quando indicado.

3) CUIDADO COM A PALAVRA TENTAR, QUE PRESSUPÕE A POSSIBILIDADE DE FALHA.
Por exemplo: "Vou tentar encontrar com você amanhã às 8 horas". Em outras palavras: Tenho grande chance de não ir, pois vou "tentar". Evite TENTAR, FAÇA.

4) CUIDADO COM NÃO POSSO OU NÃO CONSIGO, que dão idéia de incapacidade pessoal. Use NÃO QUERO, NÃO PODIA ou NÃO CONSEGUIA, que pressupõe que vai conseguir, que vai poder.

5) CUIDADO COM AS PALAVRAS DEVO, TENHO QUE OU PRECISO, que pressupõem que algo externo controla a sua vida. Em vez delas use QUERO, DECIDO, VOU.

6) Fale dos problemas ou das descrições negativas de si mesmo, utilizando o verbo no passado. Isto libera o presente. Por exemplo, "Eu tinha dificuldade em fazer isto..."

7) Fale das mudanças desejadas para o futuro utilizando o tempo presente do verbo. Por exemplo: em vez de dizer "Vou conseguir", diga "Estou conseguindo".

8) Substitua o SE por QUANDO. Por exemplo: em vez de falar "Se eu conseguir ganhar dinheiro vou viajar", fale "Quando eu conseguir ganhar dinheiro vou viajar".

9) Substitua ESPERO por SEI. Por exemplo: em vez de falar "Eu espero aprender isso", diga "Eu sei que vou aprender isso". ESPERAR suscita dúvidas e enfraquece a linguagem.

10) Substitua o CONDICIONAL pelo PRESENTE. Por exemplo: Ao invés de dizer "Eu gostaria de agradecer à presença de vocês", diga "Eu agradeço a presença de vocês". O verbo no presente fica mais forte e concreto.
(Dr.Jairo Mancilha, Ph.D/ Neurolinguistica, Cardiologista e Psiquiatra)