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sexta-feira, 31 de agosto de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
A travessia de Teresa
por: José Almir da Rosa
Depois
de uma noite mal dormida, acordei atrasado e tive que acelerar tudo a fim de
conseguir chegar dentro do horário ao trabalho. Como é de costume caminhei a
passos largos até a passarela que precisava cruzar a fim de chegar ao ponto de
ônibus.
Lá,
praticamente já no horário em que o meu ônibus passava, me deparei com um
senhora de cabelos brancos, meio debilitada e com muitas marcas no rosto. Creio
que ela deveria ter uns 80 anos.
A
velha senhora me relatou que tinha embarcado no ônibus errado e que necessitava
atravessar a avenida, a fim de retornar ao seu ponto de origem. Indiquei-lhe a
passarela e qual não foi a minha surpresa quando lágrimas escorreram pelo seu
rosto e meio cabisbaixa disse-me que não podia. Tinha medo de altura.
Naquele
momento eu tinha que escolher entre ajudar aquela pobre senhora ou embarcar no
meu ônibus. Escolhi ajudá-la e dei o braço à vovó que se apresentou com Teresa.
Com
passos lentos fomos em direção a passarela e a senhora me disse que lamentava
que necessitasse da ajuda de estranhos para poder se locomover em situações
como aquela. Ela falou-me que era mãe de muitos filhos e tinha dezenas de netos
mas, na atual circunstância, todos tinha seus afazeres e ela não podia contar
com eles para mais nada.
Começamos
a subir a rampa da passarela e ao ouvir o lamento daquela avó me lembrei da
minha que também se chamava Teresa. Como gostaria de estar ali subindo com minha
vozinha segurando em meus braços como fazia à senhora Teresa. Infelizmente
minha vovó, há muito tempo, já foi morar na eternidade.
Já
no alto da passarela a senhora me relatou que sofreu um AVC há alguns anos e
desde então tinha ficado com problema em relação à altura. Que gostaria muito
que um dos seus filhos ou netos a entendessem e agissem da mesma forma que eu
estava agindo. “Acham que as coisas que falo e faço são caduquices”, disse ela.
Novamente
fiz um paralelo com a minha avó Teresa.
Lembrei-me dos seus ensinamentos em relação ao respeito com os mais velhos.
Lembrei do zelo que tinha com nós, os netos e também a alegria que tínhamos em
tê-la do nosso lado.
Naquela
travessia eu percebi que nem tudo era da forma deveria ser. Que existem muitas
Teresas, Martas, Marias, João e José, idosos, que estão jogados a própria sorte
porque os filhos estão atarefados com seus afazeres.
A
travessia chegava ao final e a vovó Teresa não se cansava de me agradecer. Suas
palavras doces e suaves foram atingindo a minha alma e uma paz foi irradiando
pelo meu corpo.
A história já teria
tido um final feliz se tivesse acabado ali. No entanto, já sem Teresa,
encontrei um senhor também idoso que me parou e disse firmemente: eu vi o que
você fez. Apontou para o céu e disse: Ele também.
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