por: José Almir da Rosa
Estou à procura de uma criança. Faz muito tempo que ela foi vista pela última vez. Talvez 10, 15, 20 ou mais anos. Não importa, estou disposto a encontrá-la de novo.
As características de tal criança é que ela gostava muito de pular, rir e brincar com seus brinquedos feitos de latinha, sabugos ou pedaços de madeira. Tal criança exultava-se de alegria quando ganhava brinquedos novos, isto independentemente do valor de tal produto. Pirulito, balas, bombons, eram algo muito especiais.
Passear na praça, brincar de roda, fazer piquenique, mesmo que fosse no fundo do quintal, era motivo de extrema alegria. Caverna com cobertores, lençol embaixo da mesa e brincar com restos de massas de mão, de tão delicioso que era, fazia que a mesma se cansasse e acabasse dormindo. Não raro ela era acordada neste universo infantil com o rosto cheio de trigo e com um olhar de inocência que cativava qualquer um que estivesse ao seu lado. Outro prazer desta criança era brincar com água, chuvas e poças de água. Quanta leveza isto causava para aquele pequeno ser. A festa só acabava quando um adulto lhe repreendia.
Esta criança também se emocionava quando ouvia histórias que a vovó contava; quando via um inseto pisado por um desavisado ou mesmo um passarinho que tivesse caído do ninho. Lágrimas também caíam dos seus olhinhos infantis quando seu papai chegava ou ia para o trabalho. Isto acontecia ainda quando era levada à escola nos primeiros dias do ano letivo e depois se repetia quando a professora lhe chamava a atenção.
Férias escolares eram algo muito especial para esta criança. Promessa de muita diversão. A única tristeza era ter que ficar longe das pessoas mais especiais do seu mundo infantil, os coleguinhas de classe.
Por onde anda tal criança? Quem souber do seu paradeiro, avise-me o mais depressa possível. Acredito que ainda seja possível encontrá-la.
Resgatando-a certamente virá junta com ela aquela alegria da infância peculiar da alma, sem disfarces e convenções sociais.
A idade dela atualmente já deve ser outra. Pouco importa. O que desejo é resgatar aquela alma infantil, ser feliz novamente, dar gargalhadas, olhar o mundo com aquele olhar pueril e ter a capacidade de admirar-se com o novo, de novo.
Há fortes indícios que esta criança encontra-se aprisionada dentro de um coração adulto. Se isto for verdade liberte-a o mais rapidamente possível.
Deixe que esta criança que está escondida dentro de você saia, brinque e sonhe...
Isto não paga impostos, não gera contravenção e fará um bem enorme para quem a libertar e para todos aqueles que passarem a conviver novamente com ela.
Aja desta forma e um mundo encantado se abrirá a sua volta. Não deixe isto para amanhã, liberte sua criança interior e seja muito mais feliz.