quinta-feira, 24 de maio de 2012

A melhor religião do mundo

Por José Almir da Rosa


 Andar de ônibus lotado é bem desconfortável, mas, como não se trata de algo opcional, compete ao passageiro descobrir meios e modos para amenizar o desconforto da viagem. Arrumar uma distração.

Foi isto que fiz numa das minhas vindas ao centro da cidade. Comecei a observar o papo entre duas senhoras que falavam de religião. Bastante empolgadas, ambas defendiam a tese de que a igreja que frequentava era a verdadeira e que por meio dela encontraria a salvação. Pelo que pude perceber, observando o tom da voz e a gesticulação, ambas frequentavam igrejas diferentes, mas evangélicas, já que a todo o momento era falado uma adjetivo para o pastor da referida igreja.

Apenas como ouvinte participei de todo o diálogo entre elas. Também fui fazendo as minhas indagações e formando a minha opinião a respeito do tema. Qual das duas estaria certa? Sendo eu de religião diferente estaria condenado? E as outras religiões que existem no mundo? E quem não é cristão e às vezes nem tem uma religião?

Meus questionamentos cessaram quando me lembrei de uma canção de Renato Russo baseada no texto bíblico da Primeira Carta aos Coríntios. Trata-se do hino ao amor: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine em vão."

Fazendo uma analogia creio que independentemente da religião ou mesmo da falta dela, o que importa é vivermos o amor. Refiro-me ao amor "ágape", ou seja, aquele que é doação à pessoa amada sem necessitar ter nada em troca.

Baseado nesta conclusão eu desejei voltar ao encontro daquelas senhoras para lhes dizer que as duas poderiam fazer parte da verdadeira religião se aquilo que era pregado em seus templos fosse baseado no verdadeiro amor.

Ia lhes dizer mais. Que todas as religiões estão corretas se a essência for o amor ágape. Apenas faria uma ressalva também me baseando nos ensinamentos bíblicos. Todas têm que pregar o amor e a liberdade. Até porque sem liberdade não é possível amar verdadeiramente.

E finalizaria dizendo a elas para não se preocuparem porque tudo vai passar, até as religiões. O que será eterno, de fato, é o amor. Pelo menos é isto que o mesmo autor das Cartas aos Coríntios escreve: "O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá". E para concluir escreveu: "agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor". Eu acrescentaria também a liberdade.