Às vezes fico imaginando se a civilização se tornasse a raça ariana defendida e projetada por Hitler. Fico imaginando, também, se houvesse uma única religião, se todas as pessoas fossem da mesma altura, mesmo peso, mesma cor, mesmo gosto. Fico pensando se todos gostassem somente do vermelho, do sal, da noite, do frio, do outono. O mundo seria muito chato. Seria mais ou menos como viver dentro de uma casa pintada somente de branco com móveis de cor igual ou comer um belo feijão tropeiro sem colocar sal. Insosso.
Sob este prisma, que acredito não ser somente meu, questiono então porque existe tanto preconceito. Por que o diferente é motivo de tanta discussão, guerras, mortes e outras violências? Não seriam eles que dariam o colorido, o sabor para a vida? Todos somos filhos do mesmo Criador e, sendo assim, cada um, independentemente da sua particularidade, é um projeto ímpar na criação que está neste mundo para somar, não para dividir.
Aquilo que a gente julga como diferente, na maioria das vezes está só no externo, que por sua vez é fruto de meras convenções sociais.
Esta reflexão me faz lembrar o tempo que morava em São Paulo. No primeiro emprego tive a alegria de ter um colega que me ajudou muito no processo de aprendizagem da nova função. Ele, do alto escalão, vestia terno e gravata e usava óculos. Parecia um doutor. Num dia, caminhando no Parque Ibirapuera, um rapaz com estilo hippie me abordou. Era ele. Até aquele momento eu tinha muito preconceito com aquele estilo de pessoas.
Histórias semelhantes eu já ouvi sobre negros, deficientes físicos e homossexuais. Sobre este último, bem recente, no ônibus. Duas senhoras idosas falavam sobre o atendimento dos enfermeiros de um determinado hospital. Uma delas disse que gostava muito de lá porque tais profissionais eram excelentes. Ela acreditava que isto se dava porque a maioria era gay.
A índole de uma pessoa está no coração e não na pele. Lamentavelmente a gente, na maioria das vezes, pensa ao contrário. Ninguém está livre de sentir algum tipo de preconceito. Mas todos podemos lutar contra este câncer social. É um processo de crescimento pessoal, de amadurecimento da sociedade.
Bob Marley disse certa vez que "enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra". É isto aí, busquemos olhar mais a essência do que a aparência e não cansemos de buscar a paz!