quinta-feira, 24 de junho de 2010

Coisas de minha infância



por José Almir da Rosa


Quando eu era criança, lembro-me bem que eu ia à casa de minha avó interessado nas coisas boas que só se encontrava em tal lugar. Um fato que me recordo era a cobrança de minha vozinha para o pedido de bênção. Parece que era condição, ou a chave de acesso ao mundo encantado que só existe em casa de vovó, ouvir dela as doces palavras “Deus te abençoe”.
Também nesta época era muito comum lá em casa pedirmos a bênção para os meus pais na hora de dormir. Como morávamos em casa de madeira e sem forro, do meu quarto, já no aconchego da cama, eu e meus irmãos gritávamos pedindo a “bênção mãe, a bênção pai”.
O tempo passou, crescemos, a televisão e a Internet chegaram e com isto o ritual de bênção foi caindo no esquecimento. Que pena, sobretudo porque hoje sei o quanto era importante estes gestos fraternos para cada um de nós.
Outro dia eu lia um livro sobre a física quântica - muito interessante por sinal - quando chamou-me a atenção o aspecto quântico das coisas. O quanto um gesto, ainda que seja uma frase, pode mudar as coisas e principalmente a nós. Neste contexto lembrei-me das bênçãos de minha infância. Refleti o quanto era e é importante a gente pedir e dar bênçãos. Neste ato estamos criando energia positiva e contrapondo a energia negativa tão presente em nosso meio.
Padre Léo, um renomado palestrante, certa vez disse que “se os pais soubessem o quanto à bênção é importante para os filhos, não se cansariam de abençoá-los”.
Concordo com o palestrante e hoje temos elementos científicos para acreditar que toda ação tem uma reação e esta depende daquela. Logo, se abençoamos alguém criamos uma energia positiva que o favorece e nos favorece. Sem me prender às novas teorias científicas, limito a resgatar o que aprendi na infância.
Do gesto da bênção nascia uma maior união entre a família. Também demonstrava o respeito aos mais velhos e o diálogo entre nós. Aprendíamos ali que existia algo de sagrado no nosso meio e que na vida é importante o encontro diário com o Divino.
No livro que relatei, o autor destaca que não existe distância para o quantismo. Isto me alegrou porque novamente posso resgatar, ainda que à distância, o poder da bênção oriundo de minha família.
Hoje, como nos tempos de outrora, sempre que vou dormir peço a bênção para os meus pais e os abençôo, meus irmãos e sobrinhos. Tenho a certeza que algo muito bom nos une com este ato.
Para garantir a reciprocidade não me canso de pedir a eles que me abençoem e abençoem a todos quantos encontrar pelo mundo. Podemos escolher abençoar ou amaldiçoar. Eu escolho a bênção. Que Deus te abençoe!

4 comentários:

  1. Posto aqui o que me enviaram por e-mail)
    QUERO LHE DIZER QUE TAMBÉM (ASSIM COMO TODA A MINHA FAMÍLIA) OPTEI PELA BENÇÃO.
    AOS 44 ANOS, AINDA PEÇO A BENÇÃO PARA MINHA MÃE TODAS AS VEZES QUE CONVERSO COM ELA. (ISSO QUASE 6 VEZES AO DIA, PESSOALMENTE OU POR TELEFONE). E ISSO SE REPETE CADA VEZ QUE ENCONTRO UM TIO OU UMA TIA (MESMO SENDO TIO TORTO OU TIA TORTA).
    TENHO DOIS FILHOS (3 E 5 ANOS) A QUEM ENSINO NÃO SÓ A PEDIR BENÇÃO A NÓS PAIS, COMO TAMBÉM AVÓS E TIOS (NÃO IMPORTANDO SE SÃO DE SANGUE OU TORTOS). ATÉ SEGUNDA ESPOSA E SEGUNDO MARIDO DE MEUS IRMÃOS.
    VOU ALÉM, O PEDIDO DE BENÇÃO É FEITA COM A MÃO DIREITA ESTENDIDA E DEVE SER SER TOCADA POR QUEM VAI ABENÇOAR.
    ACREDITO NÃO SÓ NAS BENÇÃOS DERRAMADAS COM ESTE GESTO, MAS TAMBÉM NO RESPEITO QUE MEUS FILHOS DEMONSTRAM AOS FAMILIARES MAIS VELHOS.
    COMO SERIA BOM SE VELHOS COSTUMES E AINDA PERMANECESSEM EM TODAS AS FAMÍLIAS. COM CERTEZA, O MUNDO LÁ FORA SERIA MUITO MENOS VIOLENTO.
    BOM DIA E PARABÉNS PELA SUA CRÔNICA.

    CARLA INOCENCIA VALADARES - NOVA LIMA - MG

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  2. (posto aqui o que me enviaram por email)

    Olá!

    Alguns bons hábitos se perderam, de fato! Eu adoro ouvir dos meus pais e tios: "Deus te abençoa"!

    Abs. Márcia clarindo

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  3. (posto aqui o que me enviaram por e-mail)

    Parabéns amigo, realmente esse artigo foi maravilhoso!!!!! Grande abs! Elizabeth Lima

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  4. (posto aqui o que enviaram por e-mail)

    Meu nome é Maria da Conceição, sou professora de Língua Portuguesa e vim parabenizá-lo pelo belíssimo artigo divulgado, hoje, na seção Leitor do jornal O Tempo.
    Identifiquei-me com seu artigo porque minha família mantém a tradição de darmos e colocarmos bençãos aos nossos pais e sobrinhos. E acrescento mais: Minha mãe diz: "Deus te abençoe e te proteja" e essas palavras têm uma força incondicional, por isso, continuamos passando de geração em geração. Meus sobrinhos, independentemente do lugar onde estejam, todos nos dão a benção.
    Acho que as famílias estão se destruindo por causa disso também: estão perdendo o hábito dessas tradições divinas e, por isso, vimos tanta violência, agressão e separação entre as famílias.
    Novamente, parabenizo-o por escrever sobre um assunto tão lindo, mas que, infelizmente, para muitos é ultrapassado. Pena que estes não saibam que quem perde são eles!
    No domingo passado, 20.06, eu escrevi um artigo falando sobre o patriotismo, que muitos são patriotas só na época da copa do mundo e, querendo ou não, resgata um pouco esses valores que vão se perdendo. Se tiver oportunidade, leia-o.
    Espero que continue nos presenteando com textos tão belos quanto este que acaba de ser publicado.
    Abraços carinhosos com votos de uma vida abençoada para você e toda a sua família.
    Conceição

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