sexta-feira, 9 de julho de 2010

Vamos caçar formigas?

por José Almir da Rosa


Com o advento das novas tecnologias a grande maioria dos pais (e tios) tem delegado à televisão e ao computador a tarefa peculiar de educar.
Recentemente estive de férias e acompanhei de perto tal situação na casa de meu irmão que tem dois filhos de sete e dois anos.
Como estava de férias, aproveitei para quebrar a rotina da casa e estar um pouco mais perto dos meus sobrinhos. O resultado foi muita brincadeira positiva para eles e para mim. Com isto quem ficou em segundo plano foi a televisão.
Deixar a televisão e mesmo o computador em segundo plano não é algo tão simples assim. O brilho da tela os hipnotiza e os mantém à sua frente por horas.
Segundo dados científicos, a criança brasileira, entre os três e os doze anos de idade, passa em média quatro horas diante da televisão, o que equivale a um tempo de três meses ao ano. Não são poucas as pesquisas que demonstram o malefício desta situação.
Numa delas desenvolvida em conjunto entre o Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Chile e o Conselho Nacional de Televisão daquele país, 81 % das crianças entre cinco e dez anos dizem ter sentido medo assistindo televisão. 85 % dizem ter experimentado a sensação de pena e 62% de raiva e ódio. Só com estes dados já poderíamos inferir como poderão se tornar tais crianças quando adolescentes e adultas.
Outro detalhe da pesquisa, facilmente constatado pelos adultos é que os programas que aparentemente mais influenciam no comportamento dos pequenos são as telenovelas. Parece que elas estão tornando-se um poderoso meio de ‘culturização’ das crianças.
Além dos sentimentos apresentados acima é comprovado que a televisão e o computador (Internet) podem provocar outros distúrbios ao público infantil. Problemas de sono, medo, reações violentas e agressivas, perda da concentração, ansiedade, obesidade. Há ainda a questão da socialização tão importante para o sucesso pessoal e profissional de toda criança.
Na faculdade de comunicação aprendi que a linguagem da televisão é a da imagem e esta contém forte carga emocional. Geralmente os adultos conseguem, em maior grau, ser mais críticos em relação a isto; a criança não. Absorve quase tudo.
Trata-se de uma força manipuladora da imagem que a linguagem verbal não tem. A imagem impacta diretamente o sentimento, modela a imaginação e, por meio dela, todo o modo de sentir e de reagir da pessoa.
Por tudo isto é que convido pais e filhos que vivam a experiência de, ainda que por tempo limitado, brincar de roda, esconde-esconde, caverna com cobertor, casinha, escolinha e todas as outras brincadeiras que estão na alma infantil e muitas vezes congeladas pelo efeito da telinha brilhante.
Nas minhas férias eu brinquei de caverna com os meus sobrinhos. Rimos e divertimos muito. Tenho um amigo que costuma sair com uma lanterna caçando formigas com seus filhos durante a novela das sete. Ações simples que podem ser um diferencial na vida de todos nós.
Sei que não dá para excluir tais meios de comunicação da vida dos pequenos. É muito importante então que os pais acompanhem muito de perto o “leite tecnológico” que as crianças estão consumindo. Se o assunto for a Internet, nos deparamos com um mundo sem limites. Daí a importância de se ter um controle ainda mais intenso.
Para encerrar saliento aos adultos que apesar de poder parecer, as brincadeiras nascidas do universo infantil são muitos prazerosas, sobretudo se quando estivermos brincando deixarmos aflorar a nossa criança interior. Vamos caçar formigas? José Almir da Rosa

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