quinta-feira, 28 de março de 2013

Coisas que aprendi na infância

por: José Almir da Rosa 

Numa roda de bate papos conversávamos sobre alguns ensinamentos que tivemos na infância escolar e que ficaram em desuso no tempo. Quem não sofreu com o quadrado da hipotenusa, raiz quadrada, enfim...

 Coincidência ou não, ouvi a mesma temática numa sala de espera de um consultório médico. Refiro-me aos ensinamentos que tivemos no seio familiar e que para muitos ficou para trás.

 Diante destes fatos comecei a recordar de alguns destes ensinamentos que hoje fazem parte de minha vida. Um exemplo é o respeito com os idosos. Este era um ponto indiscutível na minha infância. Os mais novos jamais poderiam se indispor com as pessoas mais velhas. Ai de mim ou de meus irmãos se não obedecêssemos estes preceitos. Sem dúvida teríamos um encontro com a vara de marmelo. Aquilo doía demais!

 Ao contrário de algumas fórmulas de matemática, tal ensinamento hoje é bastante útil na minha vida. Procuro olhar as pessoas idosas como mestres. Vejo que o passar dos anos é sinônimo de sabedoria para a grande maioria. Não há outra forma de obter este rico aprendizado senão bebendo na fonte do conhecimentos destas pessoas.

 Dividir e respeitar o alimento são coisas que também me recordo. Só podíamos pôr no prato o que de fato fôssemos consumir. Nada de criar "picos". As panelas não fugiriam dali. A mistura era somente um pedaço de carne. O alimento devia ser tratado como algo especial, sagrado.

 Hoje vejo tanto ensinamento em tudo isto. Aprendi que não devo gastar com coisas supérfluas. Que o meu excesso pode gerar a escassez na vida de um próximo. Que o alimento é sinônimo de vida e que esta transcende a nossa materialidade.

 Lembro-me também da questão da espiritualidade. Quanto isto faz falta nos dias atuais. Desde pedir bênção para os pais ao dormir, até respeitar o Sagrado em todas as suas formas eram atitudes constantemente exigidas de nós.

 Não somos máquinas! Temos um espírito e este almeja por um alimento. Muitos dos problemas sociais seriam evitados se a humanidade não tivesse se esquecendo disto. As novas gerações sofrem pela falta da visão de transcendência.

 Dentre as minhas lembranças recordo também que meus pais sempre ensinavam que tínhamos que ter respeito pelo outro. Curiosamente lembro-me que uma vez peguei um estilingue e bati no meu irmão mais novo. Nem preciso dizer o que meu pai fez comigo. Muita dor na época. Ótimos ensinamentos.

 A ganância por sempre querer mais, a falta de espiritualidade e outros males dos tempos modernos têm provocado situações absurdas no meio social.

 O motivo de tudo isto talvez seja que nos tempos atuais as famílias usam outras cartilhas para repassar estes ensinamentos  aos filhos. A TV, internet e mídias em geral. Nestas cartilhas quase sempre o consumismo e o modismo ensinam que a gente tem que comprar, consumir e acumular. Satisfazer o nosso ego a qualquer custo.

 Penso que está na hora de a gente  recordar, viver e anunciar a todos que outro mundo é possível. Eu acredito!

2 comentários:

  1. Adorei Almir, realmente esses ensinamentos "antigos" fazem muita falta nos dias atuais. Com certeza fizeram toda diferença na minha formação e sou muita grata aos meus pais por isso. Hoje eu tento repassar aos meus pequenos. Beijo amigo.

    ResponderExcluir
  2. Parabéns José Almir, por escrever tão bem o que estamos sentindo falta.
    Bjo
    Aline Gonçalves

    ResponderExcluir