sexta-feira, 16 de julho de 2010

Em defesa do profissional de comunicação

por José Almir da Rosa

O jornalista Acir Antão, disse em seu programa do dia 04 de outubro de 2004, que o grande diferencial daquela eleição foi a capacidade de comunicação dos candidatos. Ele disse também que já estava na hora de os políticos se conscientizarem da importância do serviço de comunicação no exercício do seu governo. Finalizou enfatizando que chega de amadorismo, ou seja, que para exercer esta função não basta ter boa vontade, tem que ser formado na área.
A fala do meu colega me fez recordar um assunto abordado no tempo da faculdade: a construção e a desconstrução de uma imagem. Infelizmente, bons candidatos ficaram de fora naquela e nesta eleição, pois não usaram os mecanismos corretos que propiciassem a construção de uma imagem sólida e, sobretudo, que agradassem o seu consumidor, no caso, o eleitor.
Construir uma imagem é um processo. Não de três meses, mas de toda uma gestão, de toda a vida. Neste pleito “caíram do cavalo” os candidatos que pensaram que isso podia ser feito da noite para o dia ou somente no período eleitoral. O povo é sábio e quer ver resultados concretos. O vereador precisa fazer, mas também necessita de alguém para mostrar o que ele fez. Aqui, a atitude da galinha é um ensinamento. Ela põe o ovo e comunica a todo galinheiro.
O senhor se elegeu, logo, vivenciou o que estou escrevendo e sabe exatamente o que quero dizer quando escrevo em construir uma imagem. Num mandato isso é um dos papéis do profissional de comunicação, por sinal vital para a continuidade da carreira pública.
Infelizmente, como bem frisou Acir Antão, muitas vezes os eleitos, ao montarem a sua equipe de trabalho, escolhem bons profissionais de sua confiança para todas as funções e deixa em segundo plano o setor de comunicação. Delegam tal função a um dos assessores do gabinete. Tal atitude pode até funcionar, mas pedir para que um mecânico cuide de sua saúde é no mínimo brincar com a sorte. Mecânicos cuidam de carro, médicos cuidam de pessoas e jornalistas cuidam de comunicação. Procurar ou receber um jornalista é papel do assessor de imprensa e não do chefe de gabinete. Como profissional da área afirmo que agir assim é um exemplo de desconstrução da imagem, atitude que, no decorrer dos anos, vale uma eleição.
Finalizo minhas considerações com as palavras de Sérgio Trein, especialista em Marketing político: “quando a comunicação é deixada para a última hora, ou seja, quando não é criado um processo permanente de comunicação entre o mandato e o eleitor, sobretudo no caso de cargo como vereador, deputado estadual e deputado federal, em que normalmente as pessoas esquecem em quem votaram, corre-se o risco de o legislador virar um candidato-fantasma. Ou seja, ninguém viu, ninguém lembra dos seus trabalhos e, o que é pior, ninguém vota nele”.

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